Paulo Vaz

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Foto de Paulo Vaz de sua rede social.

Da Redação

Se não conhecia antes, deve ter ouvido o nome do Paulo Vaz desde ontem: ele, com apenas 36 anos, foi encontrado morto em sua casa, em São Paulo. Paulo era ativista, defensor de direitos humanos (LGBTQIA+), especialmente, dos transexuais. Paulo era um homem trans.

Além de ativista, Paulo era policial civil, ou seja, ocupava um espaço tão comum, mas pouco destinado aos transexuais. Paulo era um homem transexual gay, casado com o youtuber Pedro HMC.

Vejam que sua vida por si só personificava enfrentamento e superação de muitas batalhas: reconheceu-se como homem, fez a chamada transição de gênero (com cirurgia e tratamento hormonal); isso não impediu de tomar posse em cargo público; seu registro civil foi corrigido para o masculino; por fim, casou-se com outro homem.

Infelizmente, Paulo teve uma passagem muito rápida. Sua morte está sendo investigada. Existem informações de que recebeu sucessivos ataques transfóbicos (ataques pelo simples fato de ser um homem trans) via internet nas horas que antecederam seu óbito.

Por que estamos fazendo este destaque num jornal de interior? Porque a história de Paulo poderia ser a história da cantora Liniker, por exemplo. Liniker é cantora transexual araraquarense. Sofrer em função de sua identidade de gênero ou orientação sexual é comum, acontece em todos os lugares.

Esse sofrimento, pelo qual Paulo passou e pode de alguma forma ter contribuído para sua morte, é dado estatístico: a população chamada de minoria sexual (conhecida pela sigla ampla LGBTQIA+) tem grande incidência de depressão, além de muitos casos de suicídio (tentado ou efetivado).

Então, Paulo, agradecemos seus exemplos e engrandecimento da nossa sociedade. Sua vida não terá sido em vão. Aos que estão em alguma forma de sofrimento, lembramos que podem e devem pedir ajuda, seja via CVV (ligando 188), seja algum centro destinado à população LGBTQIA+. Em Araraquara, há o Centro de Referência e Resistência LGBTQIA+ “Nivaldo Aparecido Felipe de Miciano” (Xuxa), localizado na Avenida Espanha, 536, telefone (16) 3339-5002.

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