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SAUDADE

Colaboração: Cintia Alves

Saudade…
Quando ela chega, não pede licença.
Não bate à porta.
Apenas entra, ocupa os silêncios
e faz morada no lugar onde o amor um dia floresceu.
Às vezes vem vestida de sorriso,
trazendo lembranças que aquecem a alma.
Outras vezes chega em forma de lágrima,
pesando no peito como quem relembra
aquilo que o tempo jamais conseguiu apagar.
Há quem diga que sentir saudade não é natural.
Mas como não seria?
Todos nós carregamos ausências:
a saudade da infância, de um lugar,
de um abraço ou de alguém que partiu.
A saudade é a prova de que vivemos.
Saudade não é o fim.
É também resiliência.
É a coragem de olhar para trás
sem deixar de caminhar para a frente.
É transformar a dor em aprendizado
e permitir que ela abra espaço para novas histórias,
novos afetos e novas saudades.
A saudade é como a flor das onze horas.
Tem o seu instante de desabrochar,
quando colore a alma de lembranças
e nos faz rir ou chorar.
Mas também conhece a hora de se fechar,
lembrando que nenhuma dor permanece aberta para sempre.
Porque a vida continua.
Seguir em frente não significa esquecer,
mas aprender a caminhar levando no peito aquilo que nunca deixará de existir.
A saudade é uma das mais belas forças do ser humano: transforma a ausência em memória, a dor em esperança e nos ensina que o amor verdadeiro nunca desaparece. Ele apenas encontra uma nova forma de permanecer.

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