Hepatites virais: medidas preventivas e diagnóstico precoce podem salvar vidas

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Em artigo, infectologista da Unimed Araxá explica as diferenças, os tratamentos e faz alerta sobre a importância da conscientização

As hepatites virais são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, mas nos últimos anos tivemos grandes avanços em relação a elas e se torna uma coisa importante falar sobre o assunto para que possamos evitar complicações e para orientarmos sobre medidas de prevenção e vacinas para aquelas que existem.

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da hepatite E, que é menos frequente no Brasil, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia.

Estes vírus causam uma infecção que prejudica o fígado levando a alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. As infecções sintomáticas agudas podem se manifestar com cansaço, febre, mal-estar, tontura, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura cor de coca-cola e fezes claras. Algumas destas podem se tornar crônicas (hepatites B e C) e evoluir por décadas sem o devido diagnóstico. O avanço da infecção compromete o fígado sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e necessidade de transplante do órgão. Todas são causadas por vírus diferentes e podem ser transmitidas de diferentes maneiras.

A Hepatite A é uma infecção causada pelo vírus A (HAV) da hepatite, também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença de caráter benigno, contudo, o curso sintomático e a letalidade com possível infecção fulminante aumentam com a idade.

A transmissão da hepatite A é fecal-oral (contato de fezes com a boca). As medidas de prevenção contra a hepatite A incluem a lavagem das mãos depois de ir ao banheiro, trocar fraldas e tocar no lixo ou na roupa suja. Além disso, lave as mãos antes de preparar alimentos e comer, não beber leite não pasteurizado ou alimentos feitos com ele, lavar bem as frutas e vegetais antes de comê-los, manter a geladeira mais fria que 40°F (4,4°C) e o freezer mais frio que 0°F (-17,8°C), cozinhar a carne e os frutos do mar até ficarem bem passados, cozinhar os ovos até a gema ficar firme e lavar as mãos, facas e tábuas de corte depois de tocarem em alimentos crus.

A vacina contra a hepatite A é altamente eficaz e segura e é a principal medida de prevenção contra a hepatite A.

A Hepatite B pode ser transmitida da mãe para o filho durante a gestação ou durante o parto, sendo esta via denominada de transmissão vertical, pelo sangue e principalmente pelo sexo.

A Hepatite B crônica não tem cura. Entretanto, o tratamento disponibilizado no SUS objetiva reduzir o risco de progressão da doença e suas complicações, especificamente cirrose, câncer hepático e morte.

Na transmissão de mãe para filho é importante o diagnóstico porque existem medidas que podem ser realizadas tanto na mãe quanto no feto que diminuem muito esta transmissão.

A principal forma de prevenção da infecção pelo vírus da hepatite B é a vacina, que está disponível no SUS para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade.

Outras formas de prevenção devem ser observadas, como usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.

Se o indivíduo tem infecção ativa pelo vírus da hepatite B, é possível minimizar as chances de transmissão para outras pessoas. As pessoas com infecção devem ter seus contatos sexuais e domiciliares e parentes de primeiro grau testados para hepatite B ,não compartilhar instrumentos perfurocortantes e objetos de higiene pessoal ou outros itens que possam conter sangue, cobrir feridas e cortes abertos na pele, limpar respingos de sangue com solução clorada e não doar sangue ou esperma.

A Hepatite C é um processo infeccioso e inflamatório causado pelo vírus C da hepatite e que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter silencioso que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado. Aproximadamente 60% a 85% dos casos se tornam crônicos e, em média, 20% evoluem para cirrose ao longo do tempo.

A transmissão do HCV pode ser por sangue (principal forma) que pode acontecer através do contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de agulhas, seringas e outros objetos para uso de drogas (cachimbos), reutilização ou falha de esterilização de equipamentos médicos ou odontológicos, falha de esterilização de equipamentos de manicure, reutilização de material para realização de tatuagem, procedimentos invasivos (ex: hemodiálise, cirurgias, transfusão) em os devidos cuidados de biossegurança e uso de sangue e seus derivados contaminados. A transmissão também pode ocorrer através de relações sexuais sem o uso de preservativos (menos comum) e transmissão de mãe para o filho durante a gestação ou parto (menos comum).

O tratamento da hepatite C é feito com os chamados antivirais de ação direta (DAA), que apresentam taxas de cura de mais 95% e são realizados, geralmente, por 8 ou 12 semanas. O tratamento da hepatite C é feito com diferentes medicamentos que são uma combinação de dois ou mais medicamentos. Os medicamentos vêm em forma de comprimidos. O tratamento geralmente dura de 2 a 3 meses e apresentam taxas de cura de mais 95%. Não existe vacina contra a hepatite C.

Para evitar a infecção é importante não compartilhar com outras pessoas qualquer objeto que possa ter entrado em contato com sangue (seringas, agulhas, alicates, escova de dente, etc), usar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar quaisquer objetos utilizados para o uso de drogas e toda mulher grávida precisa fazer este exame…

Dra. Jaqueline Ribeiro da Silva – infectologista

(Daniel Nacati – Assessor de Comunicação / Unimed Araxá)

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