Sede própria do Cursinho Popular, no Centro, é inaugurada pela Prefeitura

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Foto: Tetê Viviani
Espaço na Avenida Feijó, nº 1033, foi reformado e adequado para abrigar as aulas do cursinho pré-vestibular desenvolvido em parceria com a Unesp; investimento foi eleito na plenária da Juventude do Orçamento Participativo

Em cerimônia emocionante, a Prefeitura inaugurou na noite de quarta-feira (29) a sede própria do Cursinho Popular, que atende pedido da população na plenária temática da Juventude do Orçamento Participativo. O imóvel recebeu o nome “Professor Matheus Henrique de Souza Santos” após projeto de lei dos vereadores Guilherme Bianco (PCdoB), Fabi Virgílio (PT) e Luna Meyer (PDT).

A unidade de capacitação pré-vestibular (em parceria com o Cuca Unesp) fica na Avenida Feijó, nº 1033, esquina com a Rua Expedicionários do Brasil (Rua 8), no Centro — antiga sede do Arquivo Municipal.

Foram investidos na reforma e adequação do prédio R$ 484.152,55, sendo R$ 417.743,34 via Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento, junto à Caixa Econômica Federal) e R$ 66.409,21 em equipamentos com recursos próprios do Município.

Em sua fala no evento, o prefeito Edinho relembrou o processo de expansão do cursinho popular nos bairros da cidade em seu primeiro mandato, a partir de 2001, e ressaltou o papel transformador da educação. “Só há ascensão de classe se tiver educação. E acredito muito nesse programa e no cursinho popular. Estou muito feliz. É uma obra do Orçamento Participativo, um programa no qual sempre acreditei, e que homenageia um menino que vi nascer e vi crescer. Combativo, questionador, inquieto. Matheus Santos nos fazia pensar, refletir”, afirmou.

Representando a Câmara Municipal, a vice-presidente Thainara Faria (PT) destacou a luta de Matheus Santos por Araraquara. “É de pessoas como o Matheus que nós precisamos. Que tenham compromisso real com a sociedade, para transformar outras vidas. Um Genuíno unespiano e lutador por essa cidade”, relatou.

O parlamentar Guilherme Bianco, um dos autores da homenagem, falou sobre o legado de Matheus Santos e sobre o papel do Cuca na formação dos jovens. “A nova sede tem estrutura como qualquer cursinho particular da cidade. É um projeto maravilhoso. Quem me conhece sabe o que o Cuca fez por mim. Estamos dando para a juventude a possibilidade de destruir os muros e construir uma ponte para levar para as melhores universidades do Brasil”, declarou o vereador.

O vereador João Clemente (PSDB) relatou memórias de seu período de estudante e de seu convívio com Matheus Santos. “Eu não sabia ser político. Eu aprendi com o Matheus. E nós conseguimos as reivindicações que precisávamos. Por isso, juventude, ocupe esse espaço, estude e prove para vocês que nós podemos, nós somos e nós estamos”, pontuou.

A secretária da Educação, Clélia Mara dos Santos, destacou que o cursinho forma cidadãos. “Aqui neste espaço não se aprende somente o que a prova do vestibular vai indicar que caia. Aprende-se e se vive também processos de construção de cidadãs e cidadãos. É uma política pública forte, necessária, preocupada de que todos os nossos jovens, independentemente de onde nasceram, do tom de pele, de quais são suas mais diferentes orientações pessoais, possam aqui estar e aprender. E, aprendendo, possam dar passos cada vez maiores e significativos”, afirmou.

A vice-diretora do Instituto de Química da Unesp Araraquara e coordenadora do Cuca, Denise Bevilacqua, recordou a trajetória do Cuca desde sua criação, em 1993, e falou sobre a importância do cursinho para a sociedade. “Faz quase 30 anos que os alunos da Unesp trabalham como bolsistas nesse projeto. Educar é uma paixão, é a nossa missão. A universidade pública, gratuita e de qualidade, como a Unesp, está cumprindo seu papel. A Unesp Araraquara tem cerca de 10 mil pessoas, e essas 10 mil pessoas têm que voltar seus olhos para a comunidade.”

Marisa Demarzo, viúva do homenageado, fez um depoimento emocionado. “Não estou sozinha. Eu sei que o Matheus está comigo. De alguma maneira, ele permanece vivo comigo e com as crianças”, afirmou. Ela relembrou o histórico de luta de Matheus Santos, que estudou no Cuca, pela educação de qualidade e por uma sociedade melhor. “Uma educação transformadora está ancorada a um projeto político de nação comprometido com o povo”, opinou.

Marcos Faglioni, ex-aluno do Cuca, falou em nome de todos da sociedade civil que passaram pelas salas de aula do cursinho. Ele incentivou os jovens a estudarem e a conquistarem seus espaços. “Tomem os espaços das universidades, os espaços de política. Façam parte disso. Esse lugar é nosso, é feito para a gente”, disse.

Também estiveram presentes no evento a vereadora Filipa Brunelli (PT) e o vereador Paulo Landim (PT); a secretária de Direitos Humanos e Participação Popular, Amanda Vizoná; o secretário de Obras e Serviços Públicos, Sérgio Pelícolla; o coordenador de Participação Popular, Anderson Morfy; a assessora de Políticas para a Juventude, Steyce Chaves; outros secretários, coordenadores e gestores municipais; a coordenadora do Cursinho Popular, Angélica Ribeiro; outros familiares do homenageado (José Luiz (pai), Antonia (mãe), João e Luiza (filhos)); além de amigos de Matheus Santos, alunos do cursinho e o público em geral.

Sobre o Cuca
O Curso Unificado do Campus de Araraquara (Cuca) é um projeto de extensão universitária no formato de cursinho pré-universitário popular. Teve início em 1993, a partir da necessidade de diminuir a grande desigualdade de acesso ao ensino superior público, que existe até os dias de hoje.

É uma organização sem fins lucrativos, mantida por meio da atuação e do trabalho de alunos, professores e funcionários da Unesp de Araraquara. É mantido pela Pró-reitoria de Extensão Universitária da Unesp (PROEX) em parceria com o Instituto de Química e da Prefeitura Municipal de Araraquara.

Ao todo, o projeto conta com o envolvimento de 69 bolsistas, entre supervisor pedagógico, professores, coordenadores e auxiliares. A parceria com a Prefeitura começou em 2004, no primeiro mandato do prefeito Edinho. O acordo é de cooperação acadêmica: a Prefeitura paga bolsas para professores (formandos da Unesp), um supervisor geral (professor doutor) e quatro coordenadores, além de arcar com a despesa do local. A Prefeitura repassa cerca de R$ 210 mil por ano.

O número de vagas disponibilizadas anualmente é de 290. O projeto conta com quatro núcleos, sendo três em Araraquara e um em Boa Esperança do Sul. Mesmo durante a pandemia, continuou com atividades e reuniões online com alunos. A média de aprovação nas universidades é de 40%.

O homenageado
A Lei nº 10.226, de 9 de junho de 2021, de autoria dos vereadores Guilherme Bianco (PCdoB), Fabi Virgílio (PT) e Luna Meyer (PDT), denominou o espaço com o nome de “Cursinho Popular Professor Matheus Henrique de Souza Santos”.

Filho da professora Antonia Santos e do vendedor José Luiz dos Santos, Matheus Santos nasceu em 31 de agosto de 1990 e cresceu no bairro Jardim Roberto Selmi Dei. Sua capacidade de liderança já era evidente na adolescência, quando integrou o grupo de jovens da Paróquia São Francisco de Assis, o movimento Maranata, o Conselho Municipal da Juventude e o Conselho de Transparência e Controle Social. Participou da direção da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Araraquara (Umesa), do Grêmio Estudantil do EEBA e da União Estadual dos Estudantes (UEE).

Trabalhou em livraria, em conserto de máquinas de lavar e RH. Aos 20 anos se concursou como agente de organização escolar e trabalhou na Escola Estadual Maria Izabel Rodrigues Orso, no Jardim Adalberto Roxo. Também trabalhou na Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp) e foi assessor de gabinete na Câmara. Após fazer cursinho popular comunitário, se formou em Administração Pública pela Unesp, onde também se tornou mestre em Ciências Sociais.

Foi aprovado no doutorado da Unicamp, na área de política científica e tecnológica, e foi também professor substituto da Unesp. Casado com a professora Marisa Demarzo e pai de dois filhos, foi candidato a vereador em 2020 e se tornou o primeiro suplente do PDT.

Matheus Santos faleceu em 30 de março de 2021, aos 30 anos de idade, vítima da Covid-19, doença que ele mesmo alertava dos riscos em suas redes sociais, somando-se às vozes que pediam pelo distanciamento social e vacinação em massa.

SECRETARIA MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO
PREFEITURA DE ARARAQUARA

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