(Texto Ivan Roberto Peroni na Revista Com & Ind)
Em janeiro deste ano quando se perguntava se as eleições fossem hoje em quem você votaria para prefeito, 43% da população dizia Edinho Silva, do PT. De janeiro a outubro, Edinho se sustentou em todas as pesquisas e torna-se prefeito pela terceira vez. Primeiramente pelo êxito dos mandatos anteriores e depois pelo amadorismo dos seus adversários.
Era 24 de agosto quando ocorre a primeira tentativa de um único grupo impedir que Edinho se tornasse prefeito de Araraquara. Todos os candidatos deveriam se retirar para que um único nome, Roberto Massafera, participasse. (ele não aceitou). Não houve consenso e o panorama se perpetuou consolidando a caminhada do ex-ministro de Dilma, que também em momento algum sentiu qualquer tipo de abalo. A não ser o constrangimento a que foi levado pela ação bélica dos adversários e as críticas destemperadas de um ou outro concorrente, a maior parte delas vindo de João Farias que pagou o preço – último lugar – pela condução inoportuna da sua campanha, tipicamente amadora.
A estratégia de trabalhar em cima do que realizou em mandatos anteriores aliada aos sintomas de ser humano bonzinho, deu resultado. Ele já havia feito ou construído algo pela cidade, enquanto os outros patinavam e se apegavam às promessas e que juntadas num momento único, fariam de Araraquara uma cidade modelo aos olhos do planeta. Identificado com a periferia, Edinho precisava equilibrar ou na pior das hipóteses, perder o menos possível ou recuperar, os votos procedentes das classes A e B que mais o pressionavam por conta da Lava Jato.
Foi então em busca de Damiano Barbiero Neto, seu vice, com acesso aos corredores das lojas maçônicas, rotarys e entidades assistenciais como a APAE.
E olha que Edinho não se importunou com o fato de Damiano ter sido preterido, desprezado, seis meses antes nas eleições da Associação Comercial e Industrial de Araraquara. Diz o ditado que "Deus fecha uma porta e abre outra" e lá foi Damiano para ser o vice de Edinho.
Administrando as intenções de voto, o candidato do PT atravessou setembro, levando pancadas de todos os lados, enquanto seus adversários na confusa sina eleitoral, jogavam nas mãos do Juiz Federal Sérgio Moro, a esperança de uma prisão a cada operação anunciada em Curitiba. Se houve alguém que acendeu uma vela pro santo e outra pro diabo, ainda assim sem conseguir a graça, seria impossível então que o amadorismo, a prepotência, a vaidade e o orgulho se sobressaíssem ante a experiência matreira de quem fez escola por sua sabedoria, fala baixa e o sentimento de salvador da Pátria, neste caso, Araraquara.
Frase célebre explica que só consegue chegar à primavera quem sabe suportar o rigor do inverno. Ainda que seja temerário o futuro de Edinho por conta das quatro paredes de uma Justiça Federal, sabemos que ele foi forte e inteligente. Democraticamente está eleito pela vontade popular e para a velha política, fica o recado dado por um garoto chamado Célio, do PSOL; e se alguém procurar o significado do seu nome vai encontrar Célio, como aquele que vem do céu… (Ivan Roberto Peroni, diretor-editor)