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Quando eu era pequena

Colaboração: Cintia Alves

Quando eu era pequena,
cabia o mundo inteiro
dentro da minha imaginação.

Eu era astronauta,
princesa, cantora
e tudo aquilo que um sonho
me permitisse ser.

O mundo era só meu.
Eu ainda não conhecia: a maldade, a calúnia, a inveja ou a pena.
Então, cresci.

Descobri que o mundo nunca havia sido apenas meu
e, quando me tornei adulta, quase me esqueci
daquela menina visionária que acreditava poder tocar as estrelas
sem precisar sair do quintal.

Hoje, olho para o espelho e ainda consigo vê-la.
Ela permanece ali,
com os olhos cheios de esperança,
esperando a fada do dente chegar
para fazer apenas uma pergunta:
— Como foi me ver crescer?

Os anos não param.

Alguns parecem durar uma eternidade.
Outros passam em quinze minutos.

E há aqueles que chegam apenas para testar
tudo o que existe dentro de nós.

Eu sorri. Chorei. Caí. Levantei. Cantei. Desafinei.
Vivi em uma montanha-russa
sem trilhos definidos
e sem grade de segurança.
Ainda assim, sobrevivi.

Porque, mesmo quando a corda apertou
e tentou sufocar os meus sonhos,
lembrei-me da menina
que eu havia sido.

Se ela acreditava que podia alcançar o céu,
quem sou eu para desistir agora?

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