Polezze ao longo da vida

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De sua família*

Todos mudamos ao longo da vida. Isso é certo. Apenas não paramos muito para pensar a respeito, não? Vamos falar de algumas mudanças de Polezze, então. E como a visão sobre o querido Polezze muda de pessoa para pessoa.

Aos que o conheceram criança, jovem ou início de idade adulta, fica uma impressão de alguém que não parava.

Era curioso, ativo, trabalhador, obstinado.

Ajudava sua mãe. Estudou no Industrial, talvez, pelo exemplo de seu tio Gildo. Fez o Normal, até chegou a dar aula… corria atrás. Mas foi sua bela voz que chamou atenção nas quermesses da Igreja Santo Antônio, quando acabou contratado pela Rádio Voz da Araraquarense.

Foi criança simples, que dizia ter se sentido mal, uma certa vez, porque outro rapaz que dirigia um veículo fez pouco dele. Talvez, por isso, mais tarde, carro exercesse uma certa atração em Polezze.

Mas não foi atrás de sucesso, porque queria ter carros. Não. É que, aos 23 anos (e meio), Polezze casava-se e, logo depois, tinha seu primeiro filho. Trabalho virou necessidade de prover o melhor para sua família.

Já estava na Rádio Cultura, fazendo o que mais lhe agradava: entrevistava, buscava notícias, informava. A vida de Polezze era assim: contato com gente o tempo todo.

Foi aumentando sua influência no rádio, na cidade. Talvez, com um certo sentimento de conquista, até de aparente poder: tal era a força de sua opinião.

Seguiu-se com sua entrada na política. Igualmente, reforçando um certo objetivo (autêntico, mas ingênuo) de “poder fazer diferença”, de ajudar e, também, de ser visto.
Como criança pobre que foi, Polezze possivelmente queria ser reconhecido por suas qualidades. Na verdade, quem não o quer? Isso é muito humano.

Acontece que essas conquistas talvez tenham, também, provocado – ainda que indiretamente e sem intenção – um certo ar de superioridade no nosso amado Polezze. Ainda que fosse por insegurança ou timidez, duas características muito marcantes em Polezze (quem o conheceu bem sabia).

Contudo, eis que Polezze sofria uma reviravolta do destino com uma demissão espetacular da Rádio Cultura, após mais de vinte anos de trabalho e conquistas.

Foi um baque tremendo. Espetacular, porque o que se viu, naquele momento, foi transformar um fato tão corriqueiro (uma rescisão de contrato) num fato monstruoso e público. Imaginem existisse internet naquela época?

Polezze recolheu-se um bom tempo. Colocou a cabeça em ordem e, literalmente, recomeçou. Mas o fez, buscando suas origens: indo a campo, buscando notícias, expondo sua opinião – forte e sempre tão equilibrada (ou cada vez mais equilibrada) -, fez nascer o JA. Verdade que, ainda, passou por outras rádios. Mas era o JA que fazia seus olhos brilharem.

O JA era mais do que um trabalho. Era uma razão de viver para Polezze.

A família costumava dizer que ele não precisava se matar, sofrer, dar o sangue, para fazer o JA prosperar. Dizíamos mesmo, porque o início do jornal não foi fácil. Foi um trabalho de união familiar. Mas, claro, as maiores dificuldades ficavam nas mãos de Polezze e Marilene. Quantas foram as viagens de um ou do outro até gráficas? No plural mesmo, porque foram algumas cidades diversas: Barra Bonita, Americana, Rio Claro…

Não era fácil. Mas uma coisa que Polezze ensinava e insistia era o sentimento de família, união e ajuda mútua. Seguimos, portanto.

A bem da verdade todo esse reinício e reconquista fizeram nascer outro Polezze.

E viva a idade: sabedoria, equilíbrio, bom senso, tranquilidade… especialmente, tranquilidade. Polezze continuava com suas opiniões sobre tudo. E ainda bem.

Mas a tranquilidade de Polezze imperava. Se antes Polezze se irritava facilmente, tendo tido boas discussões em rádio ou via imprensa em geral, Polezze encontrou uma paz no exercício de opinião que não conseguiu antes.

Alguém poderia imaginar que isso se devesse ao meio de comunicação: escrito (e não falado). Pode ser por isso também. Sem dúvida, ao por uma ideia no papel, pode-se pensar mais, refletir e, naturalmente, ser mais sensato.

Pode ser.

Mas não.

O fato é que Polezze mudou mesmo com o tempo. Foi ficando cada vez mais compreensivo, empático, sentimental e verdadeiramente preocupado. Com a família, com a cidade, com o mundo… menos com ele próprio.

Por mais que insistíssemos, Polezze não ia a médicos, consultas, não fazia exames. Era, dizíamos em brincadeira da família, um “desastre ambulante”.

Mesmo assim, viveu o suficiente para deixar muitas histórias, lembranças amorosas e exemplos de vida digna que podemos e devemos seguir.

O privilégio de ser seu filho/neto/esposa/irmã é difícil de medir. Claro: não se mede mesmo. É amor incondicional no seio da família. Mas esse texto é em sua homenagem. Então, permitam sermos repetitivos nesse agradecimento: muito obrigado por ter sido o melhor Polezze que podíamos ter.

Dia 3 de julho, já faz um ano de sua partida. Mas o amado Geraldo Polezze está conosco. Em cada atitude de honestidade e respeito que pudermos expressar, como ele tão bem ensinou.

Polezze, você é o protagonista da nossa história.

 

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