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O futuro promete

Fiorentino Cardoso e Jorge Curi (*)

A construção de um mundo melhor, mais igual e justo pode até parecer um sonho utópico e romântico. Parece ser o pensamento de grupos que só enxergam seus interesses e não medem consequências de seus atos. Assim, por todo o planeta, perpetuam-se ditaduras e direitos elementares dos homens são retirados e os abismos sociais crescem de maneira alarmante.

Olhar o mundo sem enxergar as pessoas, sem responsabilidade social e sem compromisso gera enormes ameaças. Temos o desmatamento e a poluição dos rios e lagoas mexendo com o equilíbrio climático e deixando incertezas sobre o amanhã. Em diversos países de todos os continentes, a fome ainda faz milhões de vítimas, enquanto empresários do setor agrícola queimam produções em praça pública para forçar a alta de preços. Colocam em primeiro plano a tal lógica de mercado, fechando os olhos para o ser humano.

Os desatinos ocorrem em vários setores, vêm de todas as partes e de diversas regiões. Resistir, certas vezes parece impossível, parece uma missão fadada ao insucesso. Mas não é; façamos a nossa parte. Gestos simples, espírito coletivo e com amor ao próximo podemos transformar o mundo. Um bom exemplo é a campanha "O Futuro Promete. Chegue Bem Lá”, uma iniciativa da Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina, Federação Nacional das Associações de Agências de Publicidade, apoiada por empresas privadas, órgãos públicos e por quem mais aderir. Essa campanha estimula mudanças em alguns dos nossos hábitos. Alimentar-se de forma saudável, praticar exercícios físicos regularmente, descansar adequadamente, tomar mais água, entre outras. A ideia é mostrar que o futuro é viável e promissor. Para isso devemos fazer nossa parte, plantando todos os dias, novas sementes para dias melhores. Esses cuidados são a base para pessoas mais saudáveis, bem dispostas, vivendo mais e melhor, com qualidade de vida. O futuro promete.

Sabemos que alimentação adequada e prática de atividades físicas regulares são as principais aliadas no combate às doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes, doença pulmonar obstrutiva e câncer, que estão entre as principais causas de morte no mundo. O Brasil gasta milhões com internações nessas áreas, em tratamentos e reabilitação quando otimizaríamos melhor os recursos atuando fortemente na promoção da saúde e prevenção das doenças.

Se houver uma tomada de consciência, se mudarmos pequenos hábitos teremos uma população mais ativa e saudável. Portanto, tais recursos poderão muito bem servir a outras relevantes ações em saúde, inclusive à aplicação num SUS de fato qualificado para assistência universal e integral.

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, já reconheceu o impacto positivo da campanha para a saúde pública. Diz ele: “Pequenas atitudes podem provocar muitas mudanças. O profissional de saúde tem poder, mas, há limites para implementar novos caminhos. Por isso é importante a aliança com os profissionais de comunicação”.

Nesse aspecto tem razão o senhor ministro. Há muito a caminhar, educando médicos a convencer seus pacientes, assim como aderir à essa importante iniciativa. Precisamos que veículos de comunicação abram espaço para campanhas educativas permanentes, precisamos chagar aos cidadãos e incentivá-los a compor essa força-tarefa, para melhora a saúde do nosso povo.

O que não podemos é virar as costas à realidade e deixar que tudo permaneça como está. Hoje ironicamente todos sabem da importância de hábitos saudáveis e de exercícios regulares. Falam deles e os defendem. Só que na prática fazem bem pouco por si mesmo. Isso tem de mudar já. Olhe para você com mais carinho e aposte, sem medo de perder, em um futuro melhor. São 100% as chances de ganhar. Chegue bem lá.

(*) Presidente e vice-presidente da Associação Médica Brasileira.

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