João Baptista Galhardo
No coquetel de instalação de um Congresso que participei recentemente encontrei um velho amigo que não via há alguns anos. Cumprimentou-me com um sorriso sarcástico e com os olhos arregalados. Sempre que com ele me defrontava, o mesmo olhar e o mesmo semblante. Questionei amigos sobre aquele comportamento do Lobato para comigo.
– Olha só o jeito com que ele me olha. Parece que está zombando de mim.
– Não! Disse o Valdemar. Você não está sabendo? A mulher dele morreu. Logo depois arrumou uma namorada quarenta anos mais nova.
– E daí?
– Assistindo um programa de televisão ele ficou sabendo que nos Estados Unidos há uma clínica onde a pessoa entra numa segunda-feira e sai no sábado. E ali eles fazem implante, reimplante, transplante, interlace. Acaba com rugas. Põe silicone no glúteo, no peito, no braço, na barriga da perna. Põe unha, sobrancelha e cílios postiços. Peruca no peito, nas costas. E foi para lá.
Ao tirar as bolsas e rugas dos olhos houve um exagero médico. Agora ele não fecha mais os olhos. Nem pisca. Não tem mais lágrimas. Usa a artificial. E na operação para alisar o rosto descarnaram as duas faces, puxaram para cima, cortaram uns três dedos e costuraram atrás das orelhas. Agora ele não consegue fechar a boca. Fica permanentemente com o sorriso parecido com o do Coringa, o inimigo do Batman. Dorme de olho aberto e com esse riso esquisito. Outro dia ele foi ao velório do pai do Jorge e causou constrangimento.
A vaidade chegou ao exagero. Principalmente quanto à estética. Antigamente era um luxo o marido dar para a mulher um "chuveiro" anel de brilhante ou um colar de pérolas. Hoje ela pede de aniversário ou no Natal: "quero uma lipo". "Quero dois litros de silicone nas mamas". "Quero uma bunda nova" e outras loucuras. "Quero colocar uma bocha no estômago".
– Com essa sensação de saciedade não vou comer e emagreço.
"Quero um nó nas tripas"…
Seria tão fácil resolver o problema. É só colar a boca com Super Bonder deixando apenas um orifício para cuspir ou enfiar um canudinho para tomar sopa. Quero ver quem não emagrece.
É claro que há cirurgias necessárias quando o problema a ser corrigido está prejudicando a saúde. Por exemplo, para evitar aneurisma, derrame, infarto, cifose, lordose e outros tantos incômodos.
Mas o mercado para o profissional da saúde promete muito. As mocinhas estão bebendo tanto quanto os homens. É só prestar atenção num shopping quando elas passam com aquela barriguinha mostrando a língua. Caindo para fora das calças. Dá para ver a quantidade que há dentro: amendoim, torresmo, salgadinhos e cerveja.
Vaidoso é o que deseja ser admirado.
Faz tudo para aparecer. Às vezes até finge que se esconde para ser procurado e encontrado.
Não é só mulher não! O homem, quanto à estética, está cada vez mais vaidoso. E o grande problema sempre foi quanto ao tamanho da sua guirlanda. Muitos já amarraram um pêndulo com esperança de crescimento.
Um senhor ficou sócio do clube de nudismo para onde foi com sua mulher e seu filho de oito anos. O menino fazendo comparações perguntou:
– pai por que uns homens têm o pênis pequeno e outros têm o pênis grande?
– Filho, os que têm pênis pequeno são pobres e os que têm o pênis grande são ricos.
Nisto o pai foi até a cantina. Quando voltou indagou:
– Cadê sua mãe?
– Ela estava aqui conversando com um pobre que de repente ficou rico e eles foram para o bosque.
A cada momento aparece um método novo de embelezamento.
Uma mulher preocupada com as suas rugas e bochechas flácidas procura um médico especialista.
– Tenho um tratamento revolucionário para acabar com esses vincos e essa frouxidão do rosto. Coloco um parafuso no alto de sua cabeça, com bucha, escondido no cabelo. Toda vez que a flacidez aumentar e as rugas aparecerem, basta girar o parafuso que sua pele é puxada para cima alisando o seu rosto.
– Que ótimo doutor. É o máximo. Eu topo.
Alguns meses depois, a mulher volta para a consulta de retorno:
– Doutor, a técnica que o senhor usa é excelente, mas apareceram essas bolsas horrorosas embaixo dos meus olhos. O senhor não disse que tinha esse efeito colateral!
– Minha senhora, não são bolsas. São seus peitos. E se não parar de mexer nesse parafuso, em pouco tempo você vai ter cavanhaque.
Envelhecer bem é saber lidar com as limitações que o tempo impõe.