Nova terapia pode reduzir o transplante de córnea

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Descoberta primeira terapia capaz de restaurar a camada interna da córnea e dispensar o transplante que não para de crescer no Brasil.

Pesquisa da faculdade de Medicina de Harvard publicada no The American Journal of Pathology revela que o hormônio estimulador do neuropeptídeo a-melanócito (a-MSH), controla o edema e a opacidade da córnea após uma lesão no endotélio, camada interna da córnea. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier, esta é a primeira terapia farmacológica capaz de restaurar o endotélio. Até a recente descoberta, o especialista afirma que o único tratamento para restaurar a visão de pacientes com lesões no endotélio é o transplante de córnea.

No Brasil o número de transplantes não para de crescer. Dados dos relatórios da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) mostram que nos dois últimos anos o número de transplantes de córnea cresceu 14,3%. Passou de 13,9 mil para 15,9 mil

Pior: O maior número de cirurgias veio acompanhado pelo aumento de 17% no número de inscritos na fila de espera. Passou de   21.1 mil para 24,9 mil. Por isso, para Queiroz Neto, esta descoberta é de grande importância como alternativa terapêutica.

Sobre a pesquisa

Para chegar à descoberta os pesquisadores identificaram que as células endoteliais têm receptores de diversos neuropeptídios, entre eles, o a-MSH detectado em gânglios dos nervos da córnea. O hormônio foi administrado entre uma lesão ocular e o início da descompensação endotelial, usando congelamento transcorneal.

Os pesquisadores afirmam que o estudo evidencia o potencial terapêutico deste hormônio para uma ampla gama de distúrbios oculares que atingem o endotélio da córnea que levam ao edema da córnea.

Indicações

O especialista esclarece que várias condições podem causar danos no endotélio da córnea. “É importante reconhecer esses fatores para adotar medidas preventivas quando possível” afirma. Os principais elencados pelo médico são:

  • Envelhecimento: Com o envelhecimento, o número de células endoteliais da córnea tende a diminuir naturalmente e levar a uma redução na capacidade de regeneração do tecido.
  • Ceratocone – Embora a condição seja caracterizada pela alteração progressiva na espessura e formato da córnea, Queiroz Neto afirma que o ceratocone pode afetar o endotélio de várias maneiras. Causa estresse mecânico provocado pelo alteração na curvatura que pode exercer pressão adicional sobre o endotélio, levando a uma redução na densidade celular. Conforme a doença progride, ressalta, a córnea pode desenvolver áreas de edema (inchaço) devido à incapacidade do endotélio de bombear o líquido para fora da córnea. No estágio mais avançado da doença ocorre a degeneração progressiva do endotélio que resulta em uma diminuição na densidade celular e pode requerer o transplante para restabelecer a visão. Isso explica porque a Academia Internacional de Ceratocone recomenda exames trimestrais até os 18 anos, período em que a progressão é mais rápida.

O oftalmologista destaca nesta fase o paciente pode ser submetido ao crosslinking, cirurgia ambulatorial que interrompe a progressão. A técnica reforça   as ligações de colágeno da córnea através da aplicação de ultravioleta associado à vitamina B2, afirma.

  • Distrofia de Fuchs – doença ocular progressiva que afeta o endotélio da córnea.
  • Trauma: Traumatismos diretos na córnea, como ferimentos penetrantes, cirurgias oculares ou lesões por objetos estranhos, podem danificar as células endoteliais e comprometer sua função.
  • Glaucoma: O aumento da pressão intraocular associada ao glaucoma crônico pode afetar o fluxo de nutrientes e oxigênio para as células endoteliais, resultando em lesões e perda de função.
  • Ceratite bolhosa: Condição caracterizada por bolhas de fluido no epitélio da córnea causados por danos no endotélio.

Sintomas

Os principias sintomas que indicam danos nas células endoteliais da córnea e risco de transplante enumerados pelo oftalmologista   são:

  • Visão embaçada: Decorrente do acúmulo de fluido na córnea, resultando em visão embaçada.
  • Halos ao redor das luzes: Decorrente da falta de nitidez da sua visão, especialmente durante a noite.
  • Fotofobia (sensibilidade à luz): Aumento da sensibilidade à lu e intolerância a locais muito iluminados
  • Desconforto ocular: Dor ou uma sensação de corpo estranho nos olhos.
  • Redução na acuidade visual: À medida que os danos nas células endoteliais progridem.
  • Edema: O edema é caracterizado pelo acúmulo de fluido na córnea, pode levar a edema na córnea e afetar a visão.
  • Mudanças na forma da córnea: Em casos avançados de ceratocone podem ocorre   mudanças estruturais na forma da córnea.

Prevenção

  • Exames oftalmológicos regulares: para detectar precocemente qualquer problema nas células endoteliais ou outras condições oculares. Exames regulares podem ajudar a monitorar a saúde ocular e intervir precocemente, se necessário.
  • Proteção ocular: Utilizar óculos de ao praticar esportes ou atividades que apresentem risco de trauma ocular pode ajudar a prevenir lesões que possam afetar as células endoteliais.
  • Cuidados com lentes de contato: Se você usa lentes de contato, é importante seguir as orientações do seu oftalmologista quanto ao uso adequado, limpeza e substituição das lentes. Má higiene ou uso prolongado inadequado pode aumentar o risco de complicações na córnea.
  • Evitar autodiagnóstico e automedicação: Se você notar sintomas oculares ou alterações na visão, é fundamental procurar a orientação de um oftalmologista em vez de tentar diagnosticar ou tratar a situação por conta própria.
  • Controle de condições sistêmicas: Manter sob controle condições médicas subjacentes, como diabetes e hipertensão, ajudar a prevenir complicações oculares que podem afetar as células endoteliais.
  • Não fume: O hábito de fumar está associado a uma série de alterações nos olhos, incluindo o aumento do risco de doenças que podem afetar a córnea. Parar de fumar diminui o risco de danos aos olhos.

(LDC Comunicação)

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