Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)
Câmaras de Vereadores dos 5570 municípios brasileiros renovam mesas diretoras. Novo presidente, vice, 1º e 2º secretários que terão a incumbência de administrá-las por dois anos. Os dirigentes que agora forem escolhidos ainda estarão nos cargos e poderão ter maior influência e visibilidade no final de 2016, quando a população será chamada para votar em novo prefeito e vereadores. Um presidente de Câmara, por exemplo, se for bem avaliado, se reelegera mais fácil como vereador ou até poderá ser viável como candidato a prefeito.
No perverso sistema de loteamento do poder, hoje vigente, o que seria apenas uma eleição interna das Câmaras ganha notoriedade e praticamente deflagra a corrida eleitoral dois anos antes da eleição. Na maioria das localidades, embora digam que a troca de mesa é "assunto interno" da Câmara, os prefeitos cedem cargos para preteridos, oferecem vantagens e acabam se transformando no maior "eleitor". Tudo para poder ter sua influência sobre os vereadores e não encontrar problemas com a aprovação dos seus projetos submetidos ao Legislativo. É uma grave distorção que, infelizmente, se estabeleceu na relação Executivo-Legislativo.
O ideal seria que Executivo e Legislativo fossem efetivamente "poderes" harmônicos e independentes, como está descrito na C.F.
(*) É dirigente da ASPOMIL – Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo – aspomilpm@terra.com.br)