Uso prolongado pode alterar a mordida e o desenvolvimento da boca; especialistas orientam sobre cuidados, alternativas para acalmar a criança e retirada do hábito
A chupeta faz parte da rotina de muitas famílias como recurso para acalmar o bebê ou ajudar no sono. Mas, afinal, ela realmente prejudica os dentes? Segundo o Prof. Dr. Rafael Rodrigues Dias, professor do curso de Odontologia da Estácio, o principal ponto de atenção não é o uso ocasional, mas a frequência e, principalmente, a permanência do hábito durante o crescimento.
“O uso da chupeta não significa que a criança necessariamente terá um problema odontológico. O risco aumenta conforme o hábito permanece durante o crescimento, podendo interferir na posição dos dentes e no desenvolvimento das estruturas da boca”, explica.
Entre as alterações mais comuns estão a mordida aberta anterior, quando os dentes da frente não se encostam ao fechar a boca, e a mordida cruzada. Quanto mais cedo o hábito for abandonado, maiores são as chances de algumas dessas alterações regredirem naturalmente.
Outro mito comum é acreditar que a chupeta ortodôntica elimina os riscos. Segundo Rafael, embora o formato possa ser diferente, ele não impede completamente os efeitos da sucção repetitiva. “Mais importante do que o modelo da chupeta é observar a frequência de uso e, principalmente, até que idade ela permanece na rotina da criança.”
Alternativas para acalmar a criança sem a chupeta
Do ponto de vista pediátrico, a atenção também deve estar no papel que a chupeta ocupa no dia a dia. Para a *Dra. Sílvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e professora do IDOMED (Instituto de Educação Médica)*, é importante que ela não se transforme na única maneira encontrada pela criança para relaxar, dormir ou lidar com momentos de desconforto.
“Antes de oferecer a chupeta automaticamente, os pais podem tentar entender o que a criança está manifestando naquele momento. Dependendo da idade, o choro e a irritação podem estar relacionados a fome, sono, desconforto ou necessidade de contato. Colo, embalo, música, conversa e uma rotina mais previsível para o sono são algumas alternativas que podem ajudar”, orienta Sílvia.
Segundo a pediatra, a proposta não é simplesmente proibir a chupeta, mas ampliar, aos poucos, as formas de conforto oferecidas à criança. “Quando ela encontra outras maneiras de se acalmar, a redução tende a acontecer de forma mais tranquila. Uma possibilidade é evitar oferecer a chupeta em todos os momentos e, gradualmente, restringir o uso a situações específicas, como a hora de dormir.”
Na hora da retirada, a orientação é evitar punições, constrangimentos ou transformar o processo em uma disputa. Reduzir progressivamente os períodos de uso e, quando a idade permitir, explicar à criança o que está acontecendo pode facilitar a adaptação.
“Cada criança reage de uma maneira. Se a chupeta está muito associada ao sono ou ao conforto emocional, a substituição pode ser feita aos poucos, criando outros rituais, como uma história antes de dormir, carinho ou música. O mais importante é que a retirada seja conduzida com tranquilidade e consistência”, acrescenta Sílvia.
Para Rafael, quando a criança apresenta dificuldade para abandonar a chupeta ou já existem alterações na mordida, a avaliação odontológica permite orientar a família de acordo com cada caso.
“A chupeta não precisa ser tratada como uma vilã, mas também não deve permanecer indefinidamente. Informação e acompanhamento ajudam a encontrar o melhor momento para retirar o hábito”, conclui o professor.

Prof. Dr. Rafael Rodrigues Dias, professor do curso de Odontologia da Estácio

Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e docente da IDOMED
(Conceito Comunicação)
Foto Ilustrativa Magnific