Educação socioemocional contribui para uma escola mais humana

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Foto: Instituto Revoar/Divulgação

Impactos positivos vão desde a qualidade do ensino até um ambiente escolar mais seguro e acolhedor.

Pesquisadores e profissionais das áreas de educação, psicologia e outras ciências afirmam que a formação escolar com base no desenvolvimento de competências socioemocionais contribui não só para a qualidade do ensino, como também para um ambiente escolar mais seguro e acolhedor.

 

No Brasil, o tema educação socioemocional tem ganhado cada vez mais destaque em pesquisas e eventos. Em abril deste ano, o jornal Folha de São Paulo promoveu o seminário “Escola do Futuro”, em que reuniu especialistas para debater o assunto.

Na ocasião, o psiquiatra, escritor e professor da Universidade de São Paulo (USP), Augusto Cury, avaliou que o desenvolvimento dos estudantes em sala de aula vai além da apreensão de conteúdos para a realização de provas e exames.

Para o especialista, também é necessário estimular as competências socioemocionais. Dentre elas, estão o autoconhecimento, a criatividade, a empatia, a resiliência, o pensamento crítico, a colaboração e a inteligência emocional.

Também presente no evento, o educador e escritor, Mozart Neves Ramos, pontuou que a educação socioemocional deve ser integrada às disciplinas do currículo escolar. Ele acredita que essa integração deve ser realizada por meio de políticas públicas.

Educação socioemocional na prática

Os estudos sobre educação socioemocional conquistaram notoriedade a partir da década de 1990, com a criação do Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning (Casel), nos Estados Unidos, e a elaboração do Relatório Delors, de autoria do filósofo Jacques Delors.

O relatório apontou os quatro pilares para a educação no século XXI: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a conviver; e aprender a ser. De acordo com Delors, essa deve ser a base curricular das escolas.

Para os especialistas em educação, psicologia e áreas afins, o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais acontece por meio dos diferentes processos de socialização que o indivíduo vive, desde o nascimento.

Dentre esses processos destacam-se a criação dos laços familiares e das amizades, as interações feitas na escola e no trabalho, dentre outras situações. Por isso, o período escolar é visto como um momento para estimular o desenvolvimento dessas habilidades, que podem ser aprendidas, uma vez que incluem variáveis cognitivas, comportamentais e emocionais.

A aplicação prática da educação socioemocional nas escolas pode ser feita a partir de uma adaptação da grade curricular, incluindo o ensino cognitivo e o socioemocional em sala de aula; o uso de materiais didáticos adequados à proposta; a realização de atividades pedagógicas que promovam a troca de experiência entre os alunos; e a adoção da pedagogia afetiva, que valoriza tais competências.

“Temos que mudar da era do apontamento de falhas para a era do elogio a da celebração de acertos”, declarou Augusto Cury durante o seminário “Escola do Futuro”.

Impactos para o ambiente escolar

Estudos apontam que a aplicação da educação socioemocional nas escolas é capaz de trazer impactos positivos para a formação dos alunos e, também, para o ambiente escolar. Pesquisa realizada pelo Instituto Ayrton Senna e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) identificou os principais benefícios da integração entre o estudo cognitivo e as competências socioemocionais.

Segundo o levantamento, para o estudante, a integração proporciona melhoria no aprendizado, nos relacionamentos interpessoais e na criatividade. Também reduz a incidência de doenças mentais e aumenta a probabilidade de emprego e renda no futuro. Já para as escolas, ajuda a tornar o ambiente mais seguro e acolhedor, prevenindo contra o bullying, reduzindo índices de violência e evasão.

(Luiz Affonso Mehl – Analista de Link Building – www.expertamedia.com.br)

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