(Editorial) Saúde mental

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Com a Pandemia e crise econômica, muitas pessoas perderam seus empregos, parentes próximos faleceram, famílias inteiras desapareceram, levadas pela doença. A doença também levou ao confinamento, separando todos (pais de filhos, avós de netos e amigos em geral). Quais as consequências?
Ora, somos feitos para viver em sociedade, isso é claro. Assim, o confinamento e crise econômica estão levando muitas pessoas ao desequilíbrio mental, ao limite emocional. Notaram como estamos no liminar da paciência? Como sempre pensamos “mil vezes” antes de sair de casa? Como não conseguimos, muitas vezes, sustentar uma simples conversa sem iniciar uma briga?
Quando é hora de pedir ajuda? O que podemos, enquanto comunidade, fazer para auxiliar o sofrimento de tantos?
Sem dúvida, a prevenção contra os efeitos mais graves do sofrimento pessoal – inclusive, tentativa de suicídio – é medida que se impõe. Por exemplo, em Araraquara, há viadutos que cortam o centro da cidade. Infelizmente, essa configuração urbana pode facilitar, de alguma forma, que pessoas – especialmente, fragilizadas – cometam algum ato extremo, até mesmo tentando acabar com a própria vida.
Mas, de novo, o que podemos fazer?
A primeira resposta: por mais difícil que seja (afinal, todos estamos, de alguma maneira, alterados pelos quase dois anos de pandemia e crise econômica), exerça a gentileza, empatia e paciência; tenhamos cuidado nas conversas, por mais prosaicas que pareçam. Isso depende só do esforço individual. Outra possível providência: colocar gradis fechados e bem altos ao longo dos viadutos que cortam a cidade, evitando (ao menos, minorando) casos de suicídio.
A propósito da modificação dos gradis, perguntamos à Prefeitura, se existe cronograma para isso? Não recebemos resposta até fechamento da edição.
Abaixo do editorial, lemos o pronunciamento de voluntário (há muitos anos no CVV, Centro de Valorização da Vida), que narra a situação preocupante de casos de suicídio no Brasil.
Por fim, vamos tentar difundir a mensagem: “não tenha receio, peça ajuda a quem sabe ouvir e entender. CVV TELEFONE 188”.

Voluntário narra situação preocupante de sofrimento mental dos brasileiros:

“Bom dia, sou o Júnior da Silva, voluntário do CVV há alguns anos, sou coordenador do trabalho até Setembro de 2022. Venho a público esclarecer alguns fatos sobre esse trabalho voluntário. O CVV está no Brasil desde 1962 e nesses quase 60 anos verificamos o aumento considerável de tentativas de suicídio. Nós, como entidade, trabalhamos na prevenção do suicídio, ouvindo as pessoas que nos procura, sem aconselhar, sem direcionar, apenas ficando ao lado, para dar um apoio emocional a quem já está esgotado de tantos problemas e devido a pandemia.
Agora, nosso atendimento é nacional através do número 188. Então, atendemos ao Brasil todo, de Norte a Sul, mas o CVV nacional está carente de voluntários.
Nesse exato momento que a procura está acentuada, estamos com um número reduzido de voluntários, muitos, que antes fazíamos 4 horas semanais, estamos fazendo o dobro para suprir essa demanda. Infelizmente, isso ocorre em todo território nacional. Nós damos cursos periodicamente online, mas a rotatividade de voluntários é enorme e sempre estamos em déficit.
Nossa luta é árdua, mas constante, pois a outra pessoa está sempre necessitando de ajuda emocional e estamos atendendo 24h para tentar amenizar as dificuldades emocionais de quem nos procura.”

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