Conversando com muitas pessoas, acompanhando as redes sociais e observando o que se comenta nas ruas, chegamos a uma conclusão: o brasileiro está muito mais atento à política do que estava em um passado recente.
Durante muito tempo, a impressão era de que a maioria da população se preocupava principalmente com futebol, Carnaval e os problemas do dia a dia. O chamado “pão e circo” parecia ocupar boa parte da atenção dos brasileiros.
Hoje, o cenário mudou.
Até pouco tempo atrás, muita gente sequer sabia o nome de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Hoje, os 11 ministros são conhecidos, comentados e discutidos nas rodas de conversa, nas redes sociais e até nas esquinas.
Senadores, deputados federais e estaduais também passaram a estar mais presentes no radar do eleitor. O cidadão começou a acompanhar seus votos, suas declarações, suas decisões e, principalmente, a cobrar coerência daqueles que receberam seu voto.
Mas o que provocou essa mudança?
Na nossa avaliação, vários fatores contribuíram. Entre eles, o aumento da participação das instituições em assuntos que antes pareciam restritos a outras esferas de poder, além do peso cada vez maior dos impostos e das dificuldades econômicas enfrentadas pelo cidadão comum.
Quando o dinheiro não dá para comprar o que antes era possível, quando o salário perde poder de compra e quando a população sente que está pagando cada vez mais, naturalmente começa a perguntar: para onde está indo o dinheiro? Quem está tomando essas decisões? E quem será responsabilizado por elas?
O brasileiro também passou a exigir algo que deveria ser básico em qualquer democracia: respeito às instituições e aos limites de cada uma delas.
Executivo, Legislativo e Judiciário têm funções diferentes e devem exercê-las dentro de suas competências. Quando uma instituição avança sobre o espaço da outra, cresce a sensação de insegurança e de desconfiança.
E confiança é fundamental para qualquer democracia.
O cidadão não quer muito. Quer instituições fortes, independentes e respeitadas. Quer que cada Poder cumpra a função que lhe cabe, que seus representantes sejam responsáveis por suas decisões e que o eleitor tenha voz não apenas no momento do voto, mas também por meio da fiscalização e da cobrança.
Talvez essa seja uma das principais mudanças dos últimos anos: o brasileiro descobriu que política não é assunto apenas para políticos.
É assunto de todos nós.
Porque as decisões tomadas em Brasília, nos Estados e nos municípios chegam diretamente à mesa do cidadão, ao seu bolso, à saúde, à segurança, à educação e à qualidade de vida.
O povo está mais atento. E isso, em uma democracia, não deveria assustar ninguém.
Deveria ser visto como um sinal de amadurecimento.
No fim das contas, não é muito o que o brasileiro espera da democracia: respeito, equilíbrio, responsabilidade, transparência e instituições que cumpram o seu papel.
Talvez seja justamente isso que falta para que a população volte a acreditar plenamente naqueles que deveriam representá-la.