Corrida: amiga ou inimiga dos joelhos? Ortopedista esclarece mitos sobre a prática

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Ao contrário da crença popular, a corrida, quando realizada de maneira adequada, não prejudica a saúde dos joelhos e, na realidade, tem efeito protetor da articulação.

A corrida é uma prática esportiva que vem ganhando cada vez mais adeptos, afinal, é uma atividade bastante acessível, que não exige equipamentos especiais e que pode ser praticada em qualquer lugar. Além disso, é cada vez mais fácil de encontrar eventos de corrida de rua, maratonas e grupos organizados de praticantes dessa atividade, o que estimula muitas pessoas a se aventurarem pelo esporte. Mas uma grande dúvida ainda cerca aqueles que desejam começar a correr: afinal, a corrida realmente prejudica os joelhos? “A corrida é uma atividade física de alto impacto. E como os joelhos são os principais responsáveis por absorver esse impacto, muitas pessoas acreditam que o esporte pode prejudicar a articulação. Mas não existem evidências científicas que comprovem essa informação. Na verdade, sabemos que a corrida tem um efeito protetor dos joelhos”, diz o Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).

Segundo o médico, quando realizada de maneira adequada, a corrida, além de auxiliar no controle do peso, ajuda a fortalecer a musculatura das pernas, o que oferece maior proteção à articulação do joelho. “O funcionamento adequado do joelho depende da ação de diversos músculos, então praticar exercícios que ajudem a fortalecer essa musculatura, como a corrida, é capaz de melhorar a função articular da região, além de ajudar a manter sua estabilidade durante o movimento e reduzir a carga sobre a articulação”, destaca. A cartilagem do joelho também se torna mais resistente devido ao impacto repetido que recebe durante a corrida. “E temos evidências de que a corrida é capaz de retardar o desgaste da articulação e prevenir doenças como artrite e artrose.”

Em contrapartida, o sedentarismo, sim, é prejudicial para os joelhos, pois leva a diminuição da massa muscular com consequente perda da proteção das articulações. “O sedentarismo ainda favorece o ganho de peso, o que sobrecarrega as articulações, com um trauma repetitivo e excessivo da cartilagem, levando a sua degeneração. O sobrepeso também gera inflamação com aumento na propensão para o desenvolvimento de problemas, como artrite e artrose”, alerta o especialista, que lembra que as articulações são feitas para serem movimentadas, sofrendo um processo de atrofia e rigidez quando isso não ocorre, o que acarreta no surgimento de dores.

E quanto ao chamado joelho de corredor? O Dr. Marcos Cortelazo explica que esse é o termo popular para uma condição conhecida como Síndrome do Trato Iliotibial. E, apesar do nome, é comum entre praticantes de diversos tipos de atividade física, principalmente aquelas de maior intensidade, e não apenas corredores. “O joelho de corredor é caracterizado por uma inflamação do trato iliotibial, uma faixa de tecido fibroso que se estende do ílio, localizado na bacia, até a tíbia, um pouco abaixo do joelho. Inchaço, dor na lateral do joelho e restrição do movimento da região são sintomas da condição, que é causada pela prática inadequada ou excessiva de atividade física”, diz o ortopedista, que explica que o tratamento da síndrome inclui repouso, aplicação de gelo, uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios e infiltração com corticoides, além de cirurgia em casos mais graves.

Então, para prevenir o joelho de corredor e outras lesões como entorses, é importante adotar alguns cuidados. “Se você nunca correu, comece devagar. Durante a caminhada, aumente brevemente a velocidade do passo e, conforme você ganha condicionamento, acelere o ritmo e aumente o tempo e a frequência da corrida”, aconselha o médico. É importante ainda realizar aquecimentos antes de iniciar os exercícios e escolher um tênis adequado para a corrida. “Os tênis para corrida, no geral, são mais leves e possuem um sistema de amortecimento mais sofisticado. O calçado também deve oferecer estabilidade, possuir um tamanho adequado para seu pé e, claro, ser confortável. Além disso, deve estar de acordo com o seu tipo de pisada e o solo onde a corrida será realizada.”

Quanto às pessoas que sofrem com doenças das articulações, como a artrite e a artrose, é necessário verificar com o médico sobre a possibilidade de praticar corrida. “Na maior parte desses casos, não existe uma contraindicação para a prática de corrida. Geralmente, o que impede a realização desse tipo de exercício são os sintomas e a limitação do movimento provocados pela doença. Mas, caso a pessoa consiga e haja liberação do médico, a corrida pode ser praticada sem problemas, o que, inclusive, pode ajudar a conter o avanço dessas doenças”, diz o Dr. Marcos Cortelazo, que, por fim, ressalta que, em caso de dores ao correr, é importante parar a prática e prestar atenção na evolução da dor. “Caso o incômodo não regrida espontaneamente, é fundamental buscar um ortopedista o quanto antes para passar por uma avaliação e receber o diagnóstico e o tratamento adequado”, finaliza.

FONTE: *DR. MARCOS CORTELAZO: Ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva. Graduado em medicina e pós-graduado em ortopedia e traumatologia pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o Dr. Marcos Cortelazo é membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), da Sociedade Latino-americana de Artroscopia, Joelho e Esporte (SLARD) e da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina do Esporte (ISAKOS). Sócio efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho e da Sociedade Brasileira de Artroscopia, o especialista integra o corpo clínico dos hospitais Albert Einstein, São Luiz e Oswaldo Cruz. CRM 76316 Instagram: @dr.marcos_cortelazo

(Holding Comunicações)

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