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(Editorial) Saída arriscada

A psicóloga Rosely Sayão, da Folha de S.Paulo, há algum tempo conversa com jovens "para tentar entender por que é tão grande o número dos que se sentem desencantados com a vida, sem ânimo e acima de tudo entediados e vazios". Não é só ela. Pais, avós e responsáveis pelos adolescentes se perguntam: que devo falar ou fazer para modificar a vida do meu jovem querido?

Na linha de pensamento da psicóloga, que faz sucesso em textos na FSP, um motivo se destaca fincado na escola e estudos: parece ser objetivo único a nortear a vida dos adolescentes. E tem mais, colocando um conjunto quase vazio diante da situação política e econômica do Brasil: pesa a expectativa da família na formação da responsabilidade do adolescente que pensa na classificação em vestibulares. Para o bem geral e dele próprio.

A vida, para esses jovens, tornou-se linear e monocromática. Cansativa mesmo e por isso evitam ouvir a recomendação para que estudem. Eles sabem dimensionar a força do passo a ser dado no mundo universitário. Nem precisa de recomendação.

Fator que promove a

maior pressão no

adolescente é a escolha do

curso universitário: qual

a profissão da sua vida?

Parafraseando a psicóloga Rosely: toda profissão tem grande potencial de diversificação no mundo atual. "Mas, nessa busca e com essas premissas, essa escolha torna-se quase impossível para eles: como encontrar uma profissão que os deixe apaixonados (agora é moda dizer que é preciso ter paixão pelo trabalho), que o mercado valorize e que ofereça excelentes salários? Os diálogos com os adultos também são pouco estimulantes para eles, que não se sentem levados a sério por seus interlocutores principais, pais e professores", afirma a colunista na edição de terça-feira (28/3).

O adolescente precisa ser levado a sério, ele valoriza diálogos com adultos para se ver e entender melhor no meio em que vive. Assim vai construindo valores e preparando bagagem para disputar um lugar ao sol.

A adolescência é o período

em que os mais novos se

preparam para se tornar aquilo

que são seus

próprios pais. Sem

diálogos e exemplos por

parte dos adultos, isso é

quase missão impossível.

Os jovens buscam alternativas para se afastar do tédio. Eles encontram principalmente em alguns caminhos bem arriscados, diz Rosely Sayão. "Muitos se entregam às redes sociais e aos jogos: usam e ficam tão absorvidos que se esquecem do tédio que invariavelmente retorna assim que eles deixam tais jogos. Outros escolhem ir à baladas".

Reflexão da psicóloga: será que não podemos desafiá-los para que se desenvolvam, amadureçam e, acima de tudo, amem a vida? Podemos, sim!

Basta começar a ouvi-los, colaborar para que se entendam e coloquem de fato o seu potencial criativo para beneficiar o coletivo, e não apenas a si mesmos. Contra o vazio que sentem por serem pressionados ou ignorados, adolescentes buscam saídas arriscadas. Isso precisa da sensibilidade dos adultos… que amam.

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