Texto: Almir Rizzatto
Se o relacionamento entre marido e mulher já exige dedicação e paciência, além, claro, de amor e companheirismo, o que dirá de casais que também são sócios de uma empresa? Como fazer com que eventuais problemas no trabalho não atrapalhem o casamento? E como não levar discussões conjugais para os negócios?
O consultor empresarial José Carlos Ignácio, diretor da JCI Acquisition, explica que é preciso blindar as duas situações em termos de local e horário, inclusive para discussão de problemas e tomada de decisões.
"Tudo que envolve a empresa deve ser tratado dentro dela. E assuntos familiares devem ser tratados em casa, ou a caminho dela, preservando radicalmente a convivência familiar", afirma o especialista.
Ignácio diz ainda que importante é assumir o papel e a postura adequada em cada situação, bem como a dinâmica pré-estabelecida de convivência.
O dia a dia da empresa exige energia, racionalismo e agilidade, o que é completamente diferente da situação doméstica, onde a afetividade e dinâmica familiar predominam. Em resumo: o boné de Diretor financeiro, por exemplo, cabe bem na empresa, não substituindo em casa o boné de marido ou pai.
Outro ponto ressaltado pelo consultor empresarial é a preservação do diálogo permanente, baseado em confiança em ambos os ambientes.
"A discussão honesta de divergências cabe em ambas situações, o que muda são os assuntos, a relação de poder e a dinâmica de tomada de decisões. Consequentemente é essencial evitar empurrar as discórdias para debaixo do tapete, pois, elas se transformarão em bombas de efeito retardado, deteriorando a relação", diz.
É preciso avaliar se há harmonia entre o casal e, em hipótese nenhuma, encarar o negócio como a salvação de um casamento que não vai bem.
"Um bom relacionamento pessoal pode gerar uma boa sociedade, mas uma sociedade não corrigirá um relacionamento ruim".