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E agora, prefeito?

Antonio Carlos Lopes (*)

O processo eleitoral de 2013 teve como estrela central um tema recorrente nos últimos pleitos: a saúde. Faz ao menos vinte anos que o assunto ocupa os debates políticos, ensejando promessas de candidatados em todos os níveis.

O eleitor, contudo, de prático tem recebido quase nada. Prosseguimos com problemas históricos, como a dificuldade de acesso ao atendimento médico de qualidade, ineficácia na gestão, desvalorização dos recursos humanos…

Encerrada a contagem dos votos, saem das urnas prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, aos quais devemos perguntar em tom de cobrança: E agora, o que os senhores farão de fato?

Não podemos nos omitir, ao colocarmos alguém em cargo público estamos transferindo a obrigação de bem encaminhar nossas demandas. Os políticos nada mais são do que funcionários públicos que devem eficiência, resolubilidade, transparência e respeito ao seu empregador, no caso, o povo que os remunera com dinheiro público e recursos advindos dos impostos.

Portanto, sugiro olho vivo e pulso firme. Vamos acompanhar o cumprimento de promessas e exigir avanços reais. No caso da saúde, precisamos ampliar as equipes de saúde da família e dar a elas condições favoráveis à assistência de qualidade à comunidade. É fundamental também criar mais serviços para o atendimento básico por especialidades. Outra necessidade urgente diz respeito à dificuldade de acesso ao atendimento médico. A promessa de reduzir filas para consultas, exames e cirurgias, não pode ficar apenas na retórica. É essencial que seja repensado todo o sistema de saúde sob a ótica do paciente. Garantir uma assistência básica mais completa certamente desafogará hospitais e serviços de pronto-socorro abrindo vagas e leitos para quem necessita realmente.

Sobre os recursos humanos é inegável que médicos, enfermeiros, demais profissionais da saúde e equipes de apoio precisam de remuneração adequada, possibilidades de reciclagem e desenvolvimento profissional, além de ferramentas eficientes para o atendimento aos cidadãos. Hoje, prefeituras não conseguem preencher seus quadros de funcionários, pois, não levam à frente as políticas de valorização profissional.

Já no quesito gestão, falhas graves devem ser solucionadas de imediato. Gerir com transparência os recursos e informatizar todo o sistema para permitir que as informações do paciente possam ser acessíveis a qualquer profissional de saúde, a fim de evitar desperdícios. Também se faz necessário qualificar os sistemas de referência e contrarreferência, evitando a subocupação de leitos e agilizando todos os demais processos da rede.

Enfim, desafios não faltam aos recém-eleitos, sejam eles prefeitos ou vereadores. O que temos que fazer agora é exigir que as autoridades sejam tão eficientes no trabalho quanto foram ao estrelar campanhas eleitorais.

(*) É presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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