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Futuro do Transporte Coletivo

Elias Chediek Neto (*)

Araraquara passa por um processo de crescimento rápido e necessita urgentemente de redefinições sobre seu planejamento num futuro de médio e longo prazo.

Caminhando para completar em agosto 195 anos, possui principalmente na região central e em grande parte dos bairros, um sistema viário projetado numa época que se utilizava charretes e carroças.

O crescimento demográfico e o desenvolvimento econômico têm acarretado um aumento substancial da frota de veículos, quase 9% ao ano, permitindo que chegássemos no final de 2011 a 135 mil veículos.

O sistema atual de transporte coletivo converge para a região central (Terminal de Integração) praticamente toda a frota da CTA e Paraty, cerca de 130 ônibus. A morosidade cada vez maior do fluxo de transporte, aliado as condições inadequadas da frota devido ao vencimento da vida útil da maioria dos veículos, desestimula a população utilizar o transporte coletivo e incentiva por outro lado o transporte individual através da compra (fácil) de carros e motos.

Com tudo isso aumentam acidentes, congestionamentos, poluição, custos da perda de produção, atendimento hospitalar, materiais, processos judiciais, etc. Só para citar um exemplo, casos de invalidez permanente no Brasil saltaram de 31.121 no ano de 2005, para 151.558 em 2010.

A grande oportunidade que tem nossa cidade de equacionar, modernizar e agilizar nosso transporte coletivo é utilizar com muita cautela, estudo e debate, uma pequena parte da chamada Orla Ferroviária. Visando revolucionar e incentivar o transporte coletivo, utilizando o leito principal da ferrovia, com a aquisição de Veículos Leves sobre Trilhos VLT, que se integrarão à frota de ônibus, mudando radicalmente para melhor o atendimento à população.

Numa primeira etapa essa linha de VLT ligaria o bairro Hortências até o Pinheirinho, totalizando cerca de 12km de via, possuindo ainda mais 10 estações além das duas terminais. Ao longo dessa linha o VLT circularia a uma velocidade média de 40km/h, sem trânsito, sem semáforos, percorrendo a distância média de 1km entre duas estações em apenas 1,5 minuto. As linhas de ônibus fariam a integração em cada uma dessas estações do VLT, distribuindo perpendicularmente à ferrovia, os passageiros para os bairros adjacentes. Com isso, descentralizamos o transporte agilizando o tempo de percurso, incentivando inclusive que mais pessoas deixem seus veículos em casa e passem a utilizar o transporte coletivo. Essas estações do VLT poderiam ter área de estacionamento de veículos e bicicletas, facilitando a integração.

Importante destacar que essa discussão vem de longa data, inclusive quando da aprovação em 2005 do novo Plano Diretor da cidade, conseguimos a inclusão dessa diretriz para o transporte coletivo, utilizando o leito principal da ferrovia.

Temos participado de vários fóruns, congressos e debates sobre o VLT o qual está em funcionamento e expansão em todo o mundo. Por incrível que pareça, apesar de vivermos em um país continental, o Brasil possui apenas 14% do seu transporte realizado sobre trilhos, quando países como França e Estados Unidos possuem respectivamente 55% e 50%.

É bom lembrar que a vida útil do VLT é de 30 anos, quando dos ônibus é de apenas 5 anos. A emissão de C02 do VLT é de 4,65kg, quando dos ônibus é de 11,21kg e das vans é de 40,09kg. A capacidade de transporte do VLT de 2 carros é de 360 passageiros, equivalente a 5 ônibus ou 31 vans ou 22 carros (com 2 pessoas) ou ainda a 400 motos (com 1 pessoa). Isso posto podemos dizer que o custo comparativo entre os modos de transportes levando-se em conta a externalidade é: hidrovia =1, ferrovia =2 e rodovia =5.

Infelizmente o nosso país nos últimos 50 anos em vez de incentivar o transporte sobre trilhos, muito mais econômico e eficiente, investe no transporte individual, aumentando sobremaneira o custo Brasil e transformando num caos o trânsito nas médias e grandes cidades. O VLT é um transporte moderno que convive harmonicamente com o trânsito urbano e com os transeuntes.

Particularmente, Araraquara é privilegiada por possuir uma área de mais de 1 milhão de metros quadrados, que corta toda a cidade, passando pela região central, que deverá ser entregue pelo Governo Federal tão logo terminem as obras do contorno ferroviário e a construção do pátio de manobras de Tutóia. A previsão é ter aí um grande parque arborizado com ciclovias e reaproveitamento de inúmeros prédios da ferrovia, de tal maneira que também se preserve a história que marcou a vida de tantos ferroviários das extintas EFA, CP e FEPASA.

Convém salientar que o Plano Diretor de 2005 (passa agora por revisão), prevê várias ligações viárias unindo o centro a Vila Xavier e, ao contrário do que muitos pensam, com a retirada do pátio de manobras da ferrovia o grande obstáculo a ser vencido não seria a possível linha do VLT que circularia a cada 15 minutos, mas, a via expressa com veículos passando a cada segundo. De toda maneira tem que haver soluções de engenharia para cada problema apresentado.

Esse estudo, que passa atualmente por discussões técnicas, deverá evoluir para discussões abertas com a população, ampliando a divulgação e permitindo contribuições para melhorar o seu conteúdo. Uma coisa é certa: esse trabalho vem se consolidando ao longo do tempo e necessita de definições urgentes de tal maneira que não sejamos surpreendidos com a retirada total dos trilhos, pois tornaria o projeto inviável. Estamos abertos à discussão e contribuição sobre o assunto.

(*) Engenheiro Civil, pós graduado em Gestão Pública e Gerência de Cidades

pela UNESP, sendo vereador pelo PMDB em Araraquara. www.eliaschediek.com.br

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