Luigi Polezze
Não é surpresa para ninguém que, com o passar dos anos, a mídia física perdeu espaço para a facilidade, o imediatismo e a praticidade dos meios digitais. Esse movimento se intensificou ainda mais após a pandemia, quando as ferramentas digitais passaram a ocupar um espaço ainda maior na rotina das pessoas em todo o mundo.
Somente em nossa região, a tiragem dos jornais impressos varia, atualmente, entre aproximadamente 1 mil e 3 mil exemplares, considerando publicações semanais, quinzenais e mensais. Os números são estimados com base em informações da gráfica que atende a região de Ribeirão Preto e que também é responsável pela impressão do Jornal de Araraquara. Para efeito de comparação, há cerca de oito anos, o próprio JA chegou a trabalhar com uma tiragem de aproximadamente 4 mil exemplares.
A realidade mudou. E os meios de comunicação precisaram acompanhar essa transformação. Mas, afinal, por que a mídia física ainda persiste, mesmo diante do crescimento praticamente irreversível do digital?
A resposta está justamente naquilo que o papel oferece e que o meio digital dificilmente consegue reproduzir da mesma maneira: a permanência.
Um jornal impresso pode ser guardado, relido anos depois e até passar de geração em geração. Uma fotografia publicada, uma reportagem histórica ou uma edição especial podem se transformar em registros físicos da memória de uma cidade.
Existe também o público que simplesmente prefere ler no papel. Para essas pessoas, o ato de segurar o jornal, folhear suas páginas e encontrar as notícias de sua própria cidade continua tendo um significado que vai além da informação.
No ambiente digital, por outro lado, a velocidade é a principal característica. A notícia chega instantaneamente, mas também é rapidamente substituída por outra. Uma publicação que hoje ocupa a tela do celular pode desaparecer do fluxo de informações poucas horas depois.
O jornal impresso segue outra lógica. Depois de publicado, seu conteúdo permanece registrado naquele exemplar, imutável. O papel não recebe uma nova atualização, não desaparece quando outra notícia surge e pode continuar sendo consultado enquanto estiver preservado.
É justamente por isso que, mesmo diante das dificuldades, jornais e outras publicações impressas continuam existindo.
A mídia mudou, o leitor mudou e a forma de consumir informação também mudou. Mas a história continua precisando de registros.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior força da mídia física: ela não existe apenas para informar o presente, mas também para preservar a memória do que um dia aconteceu.
Foto Ilustrativa Magnific