A população de Araraquara está cansada de assistir ao crescimento da população em situação de rua sem que soluções efetivas sejam apresentadas. As reclamações que chegam diariamente ao Jornal de Araraquara revelam um sentimento comum: a cidade mudou, e o problema deixou de ser pontual para se tornar uma realidade presente em praticamente todos os bairros.
Os números confirmam essa percepção. Dados do Cadastro Único (CadÚnico), analisados pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG, mostram que o número de brasileiros vivendo nas ruas passou de cerca de 198,7 mil pessoas, em dezembro de 2022, para aproximadamente 392,4 mil em meados de 2026. Em pouco mais de três anos, o aumento foi de quase 97%.
Nenhum governo pode considerar esse cenário aceitável. Quando mais brasileiros perdem a capacidade de sustentar suas famílias, aumenta a dependência de programas sociais e cresce a população vivendo nas ruas, fica evidente que há algo errado na condução das políticas públicas e da economia. O cidadão sente isso diariamente no supermercado, onde os alimentos pesam cada vez mais no orçamento, na dificuldade de conseguir atendimento digno na saúde pública e na crescente sensação de insegurança.
Araraquara não está isolada desse contexto. A cidade sofre as consequências de uma crise social que se espalha pelo país e que exige muito mais do que discursos e promessas. É preciso planejamento, geração de empregos, fortalecimento da economia e políticas públicas eficientes para devolver dignidade às pessoas.
As eleições se aproximam e representam uma oportunidade para que a população reflita sobre o país que deseja construir. É o momento de cobrar propostas concretas, responsabilidade na administração dos recursos públicos e compromisso com quem trabalha, produz, paga impostos e também com aqueles que mais precisam de oportunidades para reconstruir suas vidas.
O voto continua sendo a principal ferramenta de transformação da democracia. Se o Brasil vive hoje uma realidade que preocupa milhões de brasileiros, cabe ao eleitor decidir se deseja a continuidade desse caminho ou uma mudança de rumo. Mais do que promessas de campanha, o país precisa de resultados. A sociedade não suporta mais conviver com a pobreza crescente, a perda do poder de compra e o abandono de tantos brasileiros à própria sorte.