Você está cheio de carinho e amor para dar?

Marilene Volpatti

Passamos um bom tempo sendo fortes e independentes que esquecemos o outro lado. Uma certa dose de doçura e meiguice pode nos deixar plenos.

Vamos abrir nosso coração, sendo mais gentís e atenciosos com aqueles que nos cercam. Faz bem e custa quase nada.

Um presente sem motivo algum. Aquele café da manhã na cama. Envio de flores sem data especial. São agradinhos gostosos que fazem bem à alma, além de alimentar o amor do casal.

Quando se inicia um relacionamento, só flores. Telefonemas no meio do dia, bilhetinhos apaixonados, perfumes, bebidas preferidas… De repente a correria do dia-a-dia toma conta. E vem, também, a idéia de que se agradar demais vai parecer que está muito apaixonado. E se o parceiro se sentir seguro vai enjoar rapidinho. É melhor não acostumar mal. Mas fica a pergunta: por que se privar do melhor do amor? O paparico, as pequenas surpresas, o coração batendo bem forte. Quão gostosos são esses sentimentos. Quem não gosta de ver uma bela jóia numa vitrine e lembrar que a pessoa amada adoraria ter uma igual. Quando ouve uma determinada música e lembra com carinho do companheiro? A impressão que dá é de sermos piegas. Mas é gostoso e faz a gente4 se sentir muito bem. São sentimentos de paixão. Mas, por que será que relutamos tanto contra esses sentimentos?

Sempre igual

A convivência tem lá suas vantagens. A intimidade, cumplicidade, a tranqüilidade de saber que seu afeto está seguro. Mas corre riscos! Quando se está junto há muito tempo, esquece-se de olhar a outra pessoa. Nem ao mesnos percebe que cortou ou mudou a cor dos cabelos. Acha que conhece tão bem que não presta mais atenção. Pode até continuar apaixonado por ela, mas tem preguiça de dar demonstrações. Não acha mais necessário.

Até a maneira de falar muda: torna-se seco. Andar de braços ou mãos dadas na rua, jamais. Dificilmente se lembra que existem as palavras por favor, obrigado, com licença. Age como se a intimidade obrigasse só a fazer críticas. Elogios, nunca. O diálogo vira um monte de cobranças e bate-bocas. O ataque, tem que ser mais forte que do outro. E por aí em diante.

O pior é quando um passa a ser o saco de pancadas do outro. Como está ao lado, desconta nele todas as frustrações da vida. Quem mais merece a consideração é que menos a tem. Normalmente é assim que acontece.

Descuidos não são somente no relacionamento de casais. Com a vida corrida, cheia de compromissos profissionais e carências existenciais, quem tem tempo de pensar nos outros?

Coração devagar

Não é só na vida particular que as pequenas gentilezas são exterminadas. Aprendemos que, uma vez conquistado o objetivo, é melhor não paparicar demais. Não quer dizer que essa mesma atitude é tomada com colegas de trabalho. Com eles existe o bom humor, solidariedade, gentileza… Características que desaparecem em relação a pessoa da nossa vida. Por que será que páramos de bajular a quem escolhemos para ser nosso companheiro? Analistas explicam que existe uma co-dependência extremamente saudável: o contar com o outro. Nós ficamos com a idéia de que amar demais pode ser ruim. Transformamos em patologia o que é perfeitamente normal e maravilhoso: eu cuido de você e me sinto cuidado. É isso que está ficando para trás. O resultado desse autocontrole antinatural é que deixamos de dar as demonstrações de afeto que gostaríamos. Com isso, perdemos oportunidades de sermos felizes.

Todos podem ganhar

Não são só os entes queridos que perdem. Nós também.

Quando uma pessoa dá de si, incondicionalmente, ela se sente mais madura, mais centrada e independente.

Quanto mais dirigirmos nossa energia para fazer o outro feliz, melhor para nós. Quanto mais desinteressada for a forma de dar, mais íntimo e sólido fica o relacionamento. Então, por que reprimir o lado bom?

Gestos de amizade e dedicação, alimentam a vida e o amor próprio. Nada perdemos por amar. Pelo contrário. Ganhamos algo valioso: mais amor. Se cada vez que ficarmos irritados, trocar o ataque de nervos por um gesto amoroso, quebraremos a corrente negativa e nos sentiremos mais fortes e em paz.

Ser carinhoso

Cuidar de nosso companheiro, dos amigos, enfim, cuidar das pessoas queridas. Por que não trocar o carteado co amigos, que você gosta, para ir à choperia com ele? mandar flores para os pais sem motivo algum. Dar a uma amiga aquele Anjinho ou Buda que ela gostaria de ganhar para lhe dar sorte.

De repente, você se permitir ir a uma sessão de cinema no meio da semana, mesmo tendo mil coisas para fazer. É isso mesmo, nos agradar um pouquinho. Nós nos tratamos com o mesmo descaso com que faltamos aqueles que amamos. Um sapato novo, uma roupa, uma tarde numa clínica de beleza, tudo isso sem culpa.

É muito bom cuidar, reparar no desejo dos outros. Quando o companheiro necessita de um cafuné, de uma atenção especial, parar o que estiver fazendo para dar colo, da mesma forma quando sentir necessidade pedir sua parte de afeto.

Se dar, sempre. Estar aberto para receber, trocar gestos de carinho. Considerar-se merecedor de toda a atenção e querer dar da mesma forma, a deliciosa sensação de ser amado, muito amado. Isso só faz bem. Infeliz é aquele que só quer receber. Acabará sozinho e lamentando as oportunidades que deixou escapar ao longo de sua existência.

Serviços

Consultoria: Drª Tereza P. Mendes, psicoterapeuta corporal. Fone:- 236-9225.

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