Vera Botta (*)
A cultura em movimento
Neste abril não despedaçado – porque utopias e sonhos é que não faltam mas literalmente quente, as lentes de Veracidade se voltam para a cultura, a tecelã que, silenciosa e continuadamente, alimenta mudanças. Sua roda viva pode gerar novas mentalidades e, com certeza, alicerçar uma sociedade mais livre e mais enriquecida, não da perspectiva material, mas da satisfação das necessidades, do (re)encantamento do mundo. Cultura é vida, é inovação, é encontro de desafios e de vontades. Por isso viva, viva!!! A cultura (re)começou seu movimento!!!
E como vai a cultura em nossa Morada???
Felizmente, não estamos mais na fase do lamento do “século passado”. Vivemos um longo tempo, árido, de desamor, em que criticava-se – com razão – um paralelismo cultural que criava fronteiras quase intransponíveis entre o pensar e o fazer cultura. Havia uma pedra no caminho. Uma grande pedra que parecia irremovível. A cultura era tratada como propriedade de alguns. E quem disse que a cultura ou qualquer outro instrumento de gestão pública pode ter donos??? Ou de que se avança no bem-estar comum se insistirmos no “isso é meu, aquilo é seu”…
Os bons frutos de uma política ética
A cultura conquistou um lugar na primeira gestão do prefeito Edinho. Por direito, não por favor. Foram derrubados muitos “Muros de Berlim” e o solo da cultura foi adubado com chuvas de pétalas de mandala… Houve um inequívoco esforço de democratização da cultura. E, mais do que os resultados, inegavelmente positivos ficou claro que não se constrói cidadania com uma estratégia de guerra, violando-se a ética, atropelando-se pessoas. A escassez de recursos não impediu que florescessem, nas frentes abertas com as oficinas culturais, no Território da Arte, nos programas dirigidos à terceira Idade, nas ruas de cultura e de lazer nos bairros, na valorização da história/memória, nos frutos preciosos da Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira, sementes muito bem plantadas de uma cultura cidadã…
A gestão de Lauro Monteiro e de Gilsamara Moura à frente da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundart merecem aplausos!!! Em nome destes dois artistas – à dupla, permito-me acrescentar a performance competente e criativa de Euzânia Andrade – sonhadores, talvez utópicos, no melhor sentido do termo – cumprimento toda a equipe que deixou uma herança inigualável em sensibilidade e ética. Herança que não pode, sob nenhuma hipótese, ser negada, ou subestimada. Sem política de terra arrasada.
Novas Rotas na cultura???
A cidadania cultural está pronta?? É claro que não!!! Cidadania não se constrói com data marcada, como se fosse indispensável uma política de resultados e se trata de mudanças vagarosas, mas preciosas…Bem vindos os novos guardiões da cultura em nossa terra!!! Sérgio Lago e Mônica Zaher, no comando da Secretaria Municipal da Cultura e da Fundart prometem novas rotas… Competência e experiência têm, com certeza. Querem novos vôos empreendedores!!! Com certeza, nestes vôos, cabem sonhos e utopias…Quem aceita o desafio de levar adiante políticas culturais tem que ter feito um pacto com o sentir em todos suas múltiplas dimensões. O tão decantado Conselho Municipal da Cultura foi aprovado em lei, há tempo. O seu formato, de mais de 30 membros garante representatividade??? Não adianta instalar conselhos para cumprir formalidades… É preciso “afinar a viola” e, mais do que tudo, saber ouvir os sons…harmonizá-los…
A cultura quer e precisa de incentivos
A Fundação deve, sim, redimensionar seu papel, sem prejuízo da experiência acumulada, dos caminhos trilhados. Bastantes pertinentes as declarações de Mônica Zaher de que a Fundart deve empenhar-se na captação de recursos, nas parcerias com os empresários…Afinal, mais do que propostas de leis – o programa de apoio à cultura foi criado e engavetado, o que não significa que não possa ser ressuscitado – é preciso vontade política para alimentar a cidadania cultural!!! E os empresários de nossa cidade têm tudo para se convencer de que investir na cultura é semear o futuro. É se abrir a lições de vida… É saborear o prazer de crianças e jovens que querem ter acesso ao portal das artes… É estimular o trabalhador da cultura que está cansado de olhares discriminadores e quer ver sua profissão valorizada!!!
Desafios é o que não faltam
As oficinas culturais revolucionaram práticas e deixaram marcas. Os novos formatos anunciados têm que pautar-se por ações integradas. O novo só avança sobre o que está enraizado. Se as oficinas podem atuar mais incisivamente como alavancas de inclusão social, todo apoio deve ser dado… Com a devida recomendação de que a comunicação tem que chegar, de fato, a todos segmentos da sociedade. Por que não buscar elos, de fato, entre tais programas e outras iniciativas de enfrentamento à exclusão social e cultural??? Afinal, a cultura e o esporte já mostraram que o namoro pode dar certo e, neste caso, o amor comporta mais de 2 parceiros… Pode existir em circuito ampliado e ser infinito, enquanto dure!!! O desafio está em juntar esforços e mostrar sem competições vãs e egoístas, mas com ações que, pela cultura, uma outra visão do paraíso e de mudanças é possível!!! Que os novos integrantes do Conselho da Fundart e a nova equipe da Secretaria Municipal de Cultura, a quem, nas pessoas de Mônica e de Sérgio cumprimento, possam continuar investindo nessa seara, fazendo da cultura o território livre dos sonhos e das utopias. Quem ganha é a cidade e a cidadania!!! A Coluna fica por aqui. Boa semana a todos. Até a próxima!!!
(*) É pesquisadora da Uniara e colaboradora do JA.