Caso recente registrado no Rio de Janeiro chama atenção para os cuidados com animais domésticos e para o contato com morcegos
Um caso de raiva confirmado recentemente em um cão no Rio de Janeiro voltou a chamar a atenção para uma doença que, embora esteja controlada no ciclo urbano em boa parte do país, ainda exige cuidados. Para especialistas, o episódio reforça a importância da prevenção, principalmente diante da circulação do vírus entre animais silvestres e da possibilidade de transmissão para cães, gatos e seres humanos.
Segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e junho de 2026, o Brasil registrou 54 casos de raiva humana. Em 23 deles, a transmissão esteve relacionada a morcegos, que atualmente têm papel importante na circulação do vírus no país.
A raiva é uma doença grave e apresenta alta letalidade depois do início dos sintomas. Por isso, a orientação é procurar atendimento sempre que houver uma situação de possível exposição.
“Em caso de mordida ou arranhão, a primeira medida é lavar bem o local com água e sabão e procurar um serviço de saúde. A partir daí, o profissional vai avaliar o tipo de ferimento, o animal envolvido e as circunstâncias do acidente para definir a conduta”, explica a médica pediatra e infectologista Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca, professora do IDOMED (Instituto de Educação Médica).
Nem toda ocorrência significa que será necessário tomar vacina ou receber soro antirrábico. Quando o acidente envolve um cão ou gato saudável, que pode ser identificado e acompanhado, por exemplo, o protocolo do Ministério da Saúde prevê a possibilidade de observação do animal por dez dias. Se ele permanecer vivo e saudável nesse período, o acompanhamento é encerrado. Caso adoeça, morra ou desapareça, o serviço de saúde deve ser comunicado.
“A pessoa não precisa tentar decidir sozinha se o ferimento é grave ou se há necessidade de vacina. O importante é fazer a higiene imediatamente e buscar orientação. Dependendo da exposição, podem ser indicadas vacina e, em algumas situações, soro ou imunoglobulina antirrábica”, afirma Silvia.
A prevenção passa também pelos cuidados com os animais de estimação. Manter a vacinação antirrábica de cães e gatos em dia é uma das principais medidas para reduzir o risco de transmissão da doença.
Camila Alvim, professora do curso de Biomedicina da Estácio, explica que a atenção aos animais silvestres é especialmente importante porque o vírus continua circulando na natureza, mesmo em locais onde a transmissão urbana da raiva está controlada.
“A vacinação dos animais domésticos continua sendo fundamental porque cães e gatos podem ter contato, mesmo eventualmente, com animais silvestres infectados. Os morcegos merecem atenção especial porque podem entrar em residências, garagens e quintais, criando uma situação de exposição que muitas vezes não é esperada pelo tutor”, explica.
O cuidado deve ser redobrado caso um morcego seja encontrado dentro de casa, caído no chão, com dificuldade para voar ou apresentando comportamento fora do habitual. A orientação é não tocar no animal, afastar crianças e animais domésticos e acionar o serviço responsável pelo controle de zoonoses do município.
“Não é possível determinar apenas pela aparência se um morcego está infectado. Por isso, o mais seguro é evitar qualquer contato direto. Se uma pessoa ou um animal doméstico tiver contato com ele, a situação precisa ser avaliada pelos profissionais responsáveis para que sejam adotadas as medidas adequadas”, orienta Camila.
No caso dos gatos, o próprio comportamento de caça pode aumentar a possibilidade de aproximação de pequenos animais encontrados dentro de casa ou no quintal. Por isso, além da vacinação, é recomendável evitar que cães e gatos tenham acesso livre à rua e reduzir as oportunidades de contato com a fauna silvestre.
Caso um cão ou gato tenha contato com um morcego, mesmo estando vacinado, a recomendação é procurar orientação veterinária e comunicar o serviço de vigilância responsável.
Para as pessoas, acidentes envolvendo morcegos e outros mamíferos silvestres exigem atenção especial. O protocolo do Ministério da Saúde considera mordeduras ou arranhaduras provocadas por mamíferos silvestres exposições graves e prevê uma conduta específica nesses casos.
“O mais importante é não esperar para ver se algum sintoma aparece. Se houve uma possível exposição, lave o local com água e sabão e procure atendimento. A raiva é uma doença muito grave, mas temos medidas eficazes de prevenção quando a conduta é adotada no momento adequado”, completa Dra. Silvia.

Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e infectologista e docente da IDOMED
(Conceito Comunicação)
Foto Ilustrativa Magnific