Silvana Maria Curci Rodriguez é assistente social, especialista em Recursos Humanos, Artista Plástica e Professora de Piano. Foi convidada pela Sarah Coelho pela qualidade do serviço desenvolvido pela formação do semelhante. Ela mesma se define, no contexto de servir: “as aulas de piano ficaram no passado, as artes plásticas se tornaram um hobby. Mas foi como Assistente Social que tive as melhores experiências. No início da profissão, ainda como estagiária escolhi a área de saúde hospitalar, instituições e Febem”.
JA- O que motivou a sua profissão?
A escolha foi meio por acaso. O encantamento surgiu no 2º ano da faculdade onde começaram as primeiras experiências com a prática do estágio.
Qual o perfil de um bom profissional?
Um bom profissional deve se atualizar e acompanhar o processo de desenvolvimento do país, necessário ao progresso da profissão. O Assistente Social deve acompanhar e reforçar as demandas populares, na busca de uma ampliação de políticas sociais que dêem respostas às suas necessidades. Pois o Assistente Social que perdeu a capacidade de indignar-se e de rebelar-se diante dos problemas e das injustiças que afetam os setores vulnerabilizados está mais perto da esterilidade e da alienação do que do bom desempenho profissional.
Como está o mercado de trabalho na área de Serviço Social?
O desemprego é hoje um dos mais graves problemas vivido pelo trabalhador brasileiro, decorrente da política econômica que responde pela crise que o país atravessa. Com relação aos profissionais desta área verificamos que um grande número é lançado ao mercado, anualmente, onde uma pequena parcela exerce suas funções e os demais não exercem qualquer função ou executam tarefas bem distintas das de sua formação profissional. Dentre os profissionais empregados, a maioria absoluta se encontra nas instituições diversificadas. Porém, iguais na natureza, dentre elas: hospitais, escolas, creches, empresas, penitenciárias, asilos…Sempre atendendo as necessidades da família, da criança, do adolescente e do idoso.
As funções do Assistente Social, vinculadas à prestação de serviços, acabam por impossibilitar quase totalmente a possibilidade de conscientizar, organizar e mobilizar. O Mercado de trabalho em Araraquara não é, pois, dos mais favoráveis; a diversificação das horas de trabalho e salário denotam a falta de valorização de sua prática profissional pelas instituições, o que confirma o descontentamento de todos, não só em relação ao salário, como ao impedimento de liberdade de iniciativas.
Qual o retorno do seu trabalho?
É muito gratificante, como se diz “há pequenas coisas que podem fazer uma grande diferença na sua vida”. Quando trabalhamos com pessoas orientando, capacitando, apoiando e informando que o importante não é esperar tudo do governo; pelo contrário, é sair na frente e fazer com que o Estado se mobilize em função do que a sociedade está precisando; e deparamos com pessoas se mobilizando para alcançar seus objetivos e sobrevivência é esse o nosso combustível para continuar.
Realiza algum trabalho voluntário?
Desenvolvo há 10 anos um trabalho como Assistente Social voluntária na Liga Araraquarense de Combate ao Câncer. Acho importante lembrar das coisas sempre antes, e não somente quando delas precisamos. A recompensa e a gratidão pela colaboração são o enorme prazer que se sente em ajudar, e o brilho que se vê no olhar daquele que está sendo ajudado. Aproveito aqui para mandar um recado às pessoas que gostariam de se dedicar a uma causa. “Para superar a dor, a preocupação e a angústia provocadas pelo câncer, pelos tratamentos e efeitos colaterais é necessário o esforço de uma equipe inteira e, para melhores resultados, precisamos de todos ao nosso lado.
Atualmente desempenho também um trabalho profissional, como membro da equipe técnica do Projeto Reintegra Brasil. Trabalhar com adolescentes é uma missão muito gratificante. Acredito que traballhar com um ser em formação e desenvolvimento é um dos aspectos mais importantes na construção de uma sociedade melhor e mais humana.
Quais as principais carências dos adolescentes?
Pegamos esse ser humano num momento crucial do desenvolvimento do indivíduo que é marcada não só pela aquisição da imagem corporal definitiva como também a estruturação final da personalidade. Essa fase está marcada por grandes conflitos e dilemas: sexo, amor, drogas, colisão de gerações, questão vocacional…
As Carências e necessidades são muitas, mas no trabalho com esses jovens temos que ter em mente que, se nós adultos soubermos e pudermos ouvir e entender o adolescente que fomos um dia e que o trazemos em algum recanto secreto de nossas mentes; se os adolescentes de hoje, por sua vez, souberem e puderem dialogar com esse remanescente da adolescência que seus pais escondem no âmago de seus seres, quem sabe poderemos juntos dar um novo curso ao destino da humanidade. Obviamente sob a égide do idealismo, que é a marca registrada da juventude de todos os tempos.
Quais as expectativas de trabalhar com adolescentes?
As expectativas são muitas com o trabalho que desenvolvemos no projeto. Acreditamos muito nesses jovens, e juntamente com eles procuramos lutar para um mundo melhor para nós e nossos filhos, oferecendo assim uma oportunidade efetiva de reinserção social a estes adolescentes.
Como é o relacionamento no dia a dia?
O relacionamento é muito bom, sou muito exigentes com eles porque acredito e percebo que através dos limites e regras poderão adquirir responsabilidades e direcionar sua vida com objetivos e metas. A maioria recebe bem os limites e aprende principalmente a se respeitarem melhor e acreditar em suas possibilidades.
Como é seu lazer?
Meus momentos de lazer gosto de passar com a família, curtir meus filhos (tenho um garoto de 19 e uma garota de 16 anos) e meu marido, que são a alegria da minha vida.
Sua vida espiritual.
Sou católica, procuro orar todos os dias para que Deus esteja presente em todos os momentos da minha vida, me amparando e incentivado.
A família.
Minha família é meu porto seguro. Devo muito a meus pais, pela formação pessoal e profissional. De meu pai herdei o lado racional e enérgico de conduzir as coisas e de minha mãe o lado solidário de dedicação ao próximo. Assim, acho que equilibrou bem e hoje com meu marido e filhos encontro apoio, incentivo e recarga para conduzir minha vida. Sinto-me privilegiada, pois, Deus me presenteou com uma família maravilhosa.
A sua cidade
Araraquara foi adotada como minha cidade natal, embora seja taquaritinguense. Foi aqui que passei os melhores anos de faculdade, formação de minha vida profissional e constituição da minha família. Costumo dizer que é uma cidade generosa, pois possui muitas pessoas solidárias e engajadas em projetos sociais, em busca de melhoria das condições para todos.
Uma mensagem.
“O sonho é de que quando dois homens se encontrarem, sejam de povos, raças ou classes diversas, possam apertar as mãos como amigos. Não há sonho mais nobre que o da grande fraternidade humana”.
(Medeiros e Albuquerque).