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Um estado opressor

Antonio Delfim Netto (*)

Hoje, quando comparamos os resultados do Plano Real com outros planos de estabilização monetária bem sucedidos no mundo, verificamos que a par do êxito no combate à inflação ele impôs um custo final gigantesco à sociedade brasileira, devido à queda do crescimento do PIB, ao desemprego e à dívida contraída no exterior que até hoje constrange o desenvolvimento brasileiro. Acresce que o modelo de gestão social-democrata, filtrado pelo neoliberalismo da moda, conduzido por uma elite intelectual que se acreditava altamente qualificada, permitiu que se construísse um Estado que hoje já não cabe no PIB nacional. Em oito anos a carga tributária bruta foi elevada a níveis insuportáveis, apenas para sustentar um endividamento que consome 8% do Produto! Lentamente, o Estado foi sucumbindo sob o peso de uma burocracia que metabolizou os recursos disponíveis em seu próprio benefício.

Reduzir o tamanho do Estado, dando-lhe eficiência e reconhecendo seu papel no processo de desenvolvimento econômico é um dos problemas cruciais desse novo tempo.

Diante dos programas e das composições de forças políticas com maior probabilidade de êxito que estão à nossa frente, será que teremos condições de cumprir a dupla tarefa de reformar o Estado de um lado e produzir as transformações sociais de outro?

São duas tarefas absolutamente necessárias e simultâneas, mas de realização muito difícil. Uma dessas forças hoje na administração do País talvez seja mais apta para propor as transformações sociais, mas seu comprometimento indissolúvel com o corporativismo predador e uma visão antiquada do mundo vão impedir que as realize. E, o que é pior, seu utopianismo pode piorar ainda mais as condições de uma verdadeira reconstrução nacional.

A outra é menos comprometida com o corporativismo, mas as componentes políticas que a dominam são claramente as do velho Estado patrimonialista e assistencial. O seu superficial “modernismo” esconde a estrutura resistente, disfarçada e aparentemente imortal do Brasil obsoleto. Pode até ensaiar mudanças na economia, mas dificilmente promoverá a transformação social. Fará discursos com sonoridade moderna, mas sua ação não escapará ao antiquado.

Nenhuma das duas soluções nos dá esperanças de que assistiremos a uma modificação realmente profunda da sociedade brasileira. O Brasil precisa é de um Partido conservador e liberal que obtenha da sociedade, nas urnas, o mandato para fazer o que é preciso: cortar a fundo, mas com justiça e inteligência, os gastos dos três níveis de governo, para salvá-los do caos que os domina.

(*) E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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