Texto: Percival Puggina
Em julho a imprensa nacional informou que 716 mil empresas haviam fechado as portas em virtude da pandemia. E o coronavírus seguirá vitimando essas empresas privadas. Digo isso ciente de que, infelizmente, essa não é uma percepção comum. A população brasileira transita, inadvertida e submissa, em meio a instrumentos de doutrinação e domínio das mentes sob os quais se predispõe a considerar o ambiente empresarial como um lugar de opressão e submissão para exploração. Não percebem – tantos brasileiros! – quão submissos estão à opressão e mistificação ideológica. Não é por outro motivo que, em tempos de pandemia, tanto se fala em opção entre vida e dinheiro. No entanto, esses locais que chamamos empresa, escritório, firma, fábrica, loja, venda, estão para a vida humana assim como os recifes de coral estão para a vida marinha.
FATORES
Quando fatores externos agem de modo descuidado, estabanado, todo o sistema padece esse impacto afetando os organismos que ali se desenvolvem e inter-relacionam. Estamos vendo acontecer. Quando, em 2013 a cidade de Detroit quebrou, a maior parte de seu imenso parque automobilístico já havia encerrado atividades ou ido embora. A população caiu de dois milhões para cerca de 700 mil habitantes. Setores da cidade e imensos pavilhões industriais proporcionaram cenários para filmes de zumbis. Pelo viés oposto, são os negócios, a atividade mercantil, a manufatura, a prestação de serviços que a seu modo viabilizam a vida, a realização dos sonhos, as famílias e seus projetos.
NÃO SUPORTARAM
Dez mil lojas fecharam no Rio Grande do Sul. Seus proprietários chegaram ao mês de maio com recursos esgotados diante de mais de dois meses com as portas fechadas desnecessariamente porque o vírus andava longe daqui. Quando ele chegou, teve início o abre e fecha tipo sanfona de gaiteiro preguiçoso. Mais tempo fechada do que aberta. Vieram os horários estapafúrdios, arbitrariedade das agendas de funcionamento tiradas de mero arbítrio da autoridade, veio a onipresente ameaça do lockdown geral a afugentar ainda mais a vida de seu sustento.
Repito: a afugentar a vida de seu sustento!
(*) É membro da Academia Rio-Grandense de Letras, arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org).