Luigi Polezze
Na última quarta-feira, a praça da Igreja Santa Cruz foi visitada por figuras políticas que se reuniram com comerciantes locais para ouvir as já rotineiras reclamações. O Executivo anunciou a existência de uma emenda voltada para a revitalização da praça, com o objetivo de estimular o comércio local.
Mas será que esse é realmente o problema?
Segundo os comerciantes entrevistados pela reportagem do JA, a estrutura da praça é apenas uma parte menor do desafio enfrentado pelo local. A maior queixa está relacionada à insegurança, à presença de pessoas em situação de rua e, como consequência, à queda no número de visitantes. Alguns lojistas relataram, inclusive, furtos pontuais, mas afirmaram que poucos registram boletim de ocorrência, devido à falta de punição efetiva aos suspeitos.
Uma revitalização será suficiente para mudar essa realidade?
Provavelmente não. A melhoria do espaço público pode ser apenas o primeiro passo para dar “novos ares” à praça. Para uma solução mais concreta, seria necessário aproveitar a revitalização para instalar um ponto de apoio das forças policiais, a fim de inibir crimes, além de reforçar políticas sociais que ofereçam oportunidades de reestruturação para pessoas em situação de vulnerabilidade.
A iniciativa de dar uma nova cara à praça da Santa Cruz é positiva, mas o esforço precisa ser direcionado para mudanças reais. De nada adianta “pintar” o problema com cores novas se, em pouco tempo, a situação voltar ao que era antes.
Vale ressaltar que uma das sugestões mais ouvidas durante as conversas foi a “retirada das pessoas em situação de rua” do local. No entanto, é importante frisar: ninguém pode ser removido de um espaço público se não estiver cometendo um crime. O desafio está em buscar soluções plausíveis para todos, sem abrir mão da justiça social e do respeito aos direitos humanos.

