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Secretário Adalberto Ferreira fala sobre reestruturação da segurança e mobilidade em Araraquara

Por Luigi Polezze

Em entrevista exclusiva, o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana de Araraquara, coronel da reserva Adalberto José Ferreira, detalhou os desafios enfrentados ao assumir a pasta e os planos em andamento para melhorar a cidade, tanto na infraestrutura de trânsito quanto na segurança pública.

Logo ao assumir o cargo, Ferreira se deparou com um problema estrutural: a antiga sede da Guarda Municipal e da Defesa Civil havia sido vendida, deixando os serviços sem um local fixo de operação. “Foi uma situação de quase despejo”, afirmou. Para solucionar o impasse, a secretaria integrou os setores de trânsito, engenharia, Guarda Municipal e Defesa Civil no prédio da antiga CTA. “Nosso primeiro foco foi reorganizar internamente, garantindo que nossos servidores tivessem condições mínimas de trabalho. Só a Guarda Municipal conta com 107 agentes”.

Mobilidade urbana: de ações pontuais a um plano estruturado

Segundo Ferreira, até então a cidade carecia de um planejamento integrado de mobilidade urbana. “As ações eram pontuais, normalmente em resposta a indicações de vereadores ou acidentes. Faltava uma estratégia ampla, com foco nos corredores de trânsito e nas regiões de maior fluxo de veículos”, explicou.

A nova abordagem, em construção junto a engenheiros e arquitetos da pasta, busca organizar a cidade em grandes eixos viários, concentrando os investimentos em sinalização, redutores de velocidade e manutenção viária nas áreas de maior necessidade.

Ciente de que não possui formação técnica na área de engenharia de tráfego, Ferreira afirmou que tem se dedicado intensamente ao estudo da legislação e ao trabalho integrado com os profissionais do setor. “Tenho aprendido muito com a equipe. Meu objetivo é falar a mesma língua dos engenheiros para tomar decisões com base técnica e responsabilidade”, ressaltou.

Ciclovias: plano depende de orçamento e estudo técnico

Um dos temas mais debatidos nos últimos anos, a ampliação das ciclovias em Araraquara também está no radar da secretaria, mas ainda depende de viabilidade técnica e financeira. Segundo Ferreira, não há recursos previstos no orçamento atual para novos trechos, mas a secretaria trabalha para incluir a pauta no planejamento do próximo ano.

“Não basta pintar uma faixa e chamar de ciclovia. Algumas vias, como a Maurício Galli, são estreitas e já sofrem com o tráfego. Ou se proíbe estacionamento ou se estrangula a via”, pontuou. Ele também criticou projetos que criam ciclovias que “não ligam lugar nenhum”, citando como exemplo o bairro Vale do Sol, onde há apenas um trecho curto isolado. “Ou você liga os pontos ou não adianta fazer só dentro dos bairros, onde o trânsito é tranquilo”, completou.

Segurança pública: escapamentos barulhentos também são prioridade

Na área da segurança, Ferreira destacou que a cidade enfrenta desafios constantes e dinâmicos. Um exemplo atual é o aumento das reclamações sobre motos com escapamentos abertos, que causam perturbação sonora, inclusive em áreas sensíveis como escolas e hospitais.

“Há quem diga que isso é apenas trânsito, mas é uma questão de segurança e de saúde pública também. Precisamos fiscalizar e coibir esses abusos”, disse.

Ferreira também demonstrou preocupação com o número de acidentes fatais no trânsito da cidade — entre 10 e 11 apenas nos primeiros meses do ano — e atribuiu parte do problema à imprudência de motoristas. “Muita gente usando celular ao volante, ignorando sinalizações. É um problema cultural que precisamos combater com educação e fiscalização”, afirmou.

Mensagem à população

Ao final da entrevista, o secretário fez um apelo à população: “Nós, do poder público, estamos fazendo nossa parte com planejamento e seriedade. Mas é fundamental que cada cidadão também faça a sua — seja respeitando as leis de trânsito, seja tendo mais empatia e responsabilidade no convívio urbano. Araraquara só vai avançar se caminharmos juntos”.

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