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Santa Casa enfrenta desafios financeiros

Luigi Polezze

Durante as sessões legislativas, vereadores da base e da oposição manifestaram preocupação com a sustentabilidade financeira da Santa Casa, considerada referência para toda a região. Segundo os parlamentares, embora o hospital desempenhe um papel regional, o município de Araraquara continua sendo o principal responsável pelo custeio de seus atendimentos.

O vereador Aluisio Boi (MDB) foi um dos que mais defenderam a necessidade de uma mudança nesse modelo. Durante a sessão, afirmou existir uma possibilidade remota de sua avaliação estar equivocada, mas declarou estar convicto de que a Santa Casa atende pacientes muito além da área originalmente prevista para a DRS-3, recebendo pessoas de diversas regiões vizinhas. Na visão do parlamentar, essa realidade impõe um peso desproporcional ao orçamento da saúde de Araraquara.

Investimentos em infraestrutura não resolvem custeio

Buscando esclarecer as informações apresentadas na Câmara, o Jornal de Araraquara procurou inicialmente o Departamento Regional de Saúde da 3ª Região (DRS-3). Durante vários dias, o órgão permaneceu sem responder aos questionamentos encaminhados pela redação.

Diante da ausência de manifestação, a reportagem buscou esclarecimentos junto à Secretaria de Estado da Saúde, que respondeu prontamente.

Em nota, a Secretaria informou que a Santa Casa vem sendo acompanhada pelo Estado e destacou investimentos destinados à instituição, entre eles R$ 12 milhões para conclusão das obras do novo prédio hospitalar e R$ 42 milhões para a ampliação da unidade, permitindo a criação de novos leitos de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Também ressaltou que o hospital integra o programa SUS Paulista, destinado ao fortalecimento dos hospitais filantrópicos.

Entretanto, a resposta não apresentou informações sobre novos recursos destinados ao custeio permanente da operação hospitalar, ponto considerado como o principal desafio enfrentado atualmente.

Prefeitos discutem divisão dos custos

Diante desse cenário, foi realizada nesta semana uma reunião entre prefeitos da região para discutir um novo modelo de financiamento da Santa Casa.

Participaram representantes de Boa Esperança do Sul, Rincão, Américo Brasiliense, Gavião Peixoto, Trabiju, Motuca, Santa Lúcia e Araraquara.

A proposta em discussão busca estabelecer uma divisão mais equilibrada dos custos do hospital entre os municípios que utilizam seus serviços.

Segundo informações apresentadas durante os debates, atualmente Araraquara arca com aproximadamente 90% das despesas mensais da Santa Casa, realizando um aporte de cerca de R$ 4 milhões por mês, dos quais aproximadamente R$ 1 milhão corresponde a recursos federais.

Na avaliação dos parlamentares, esse modelo tornou-se financeiramente insustentável a longo prazo, especialmente diante do aumento constante da demanda regional pelos serviços hospitalares.

Reunião termina sem definição

Apesar da importância do encontro, nenhuma decisão definitiva foi tomada.

Os gestores municipais deverão apresentar suas propostas de participação financeira, e uma nova rodada de discussões está prevista para ocorrer até o próximo dia 5 de agosto.

Somente após essa nova etapa será possível saber se haverá consenso para um rateio regional dos custos ou se Araraquara continuará suportando praticamente sozinha a manutenção do hospital.

Futuro depende das próximas negociações

A Santa Casa de Araraquara permanece como referência para milhares de pacientes de toda a região. Entretanto, o consenso entre os parlamentares é de que a continuidade desse atendimento depende da construção de um modelo de financiamento mais equilibrado entre os municípios beneficiados e os demais entes públicos.

Até que haja uma definição sobre a divisão dos custos, permanece a preocupação manifestada durante os debates: sem uma solução estrutural para o custeio da operação, a capacidade financeira da instituição poderá continuar sendo pressionada pelo crescimento da demanda regional.

O Jornal de Araraquara seguirá acompanhando as negociações e divulgará os próximos desdobramentos após a reunião prevista para o início de agosto.

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