Altura, formato e tempo de uso do calçado influenciam a postura e a sobrecarga sobre o corpo; fisioterapeuta explica o que observar, principalmente para quem já sente dor
Embora o salto alto continue sendo presença frequente no trabalho, em eventos e na rotina de muitas mulheres, o uso repetido pode mexer com a postura, alterar a forma de caminhar e aumentar a sobrecarga sobre a lombar. Com o tempo, esse impacto pode se estender também ao pescoço, aos ombros, ao quadril, aos joelhos e aos pés.
O uso diário de salto alto pode favorecer dores lombares e desvios posturais, especialmente quando o calçado é muito alto ou usado por longos períodos. A orientação mais recorrente entre especialistas é evitar alturas acima de 5 centímetros na rotina, já que essa elevação altera o centro de gravidade do corpo e exige compensações musculares e articulares para manter o equilíbrio.
Para a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, o problema não está apenas no salto em si, mas na forma como ele é usado. “O impacto depende da altura, da base, do tempo de uso e da condição física de cada pessoa. O salto modifica a distribuição de peso e faz o corpo se adaptar para não perder estabilidade. Quando isso acontece muitas vezes, a coluna pode sentir”, afirma.
O corpo compensa — e cobra
Na prática, o salto projeta o corpo para a frente. Para manter o equilíbrio, a musculatura faz ajustes que podem aumentar a curvatura da lombar, tensionar o pescoço, sobrecarregar os ombros e mudar o padrão de marcha. Em quem já convive com dor nas costas, hérnia de disco, escoliose ou tensão muscular frequente, o efeito pode ser ainda mais perceptível.
“Nem sempre o salto é a causa principal da dor, mas ele pode funcionar como um agravante importante. Muitas vezes a pessoa já tem uma sobrecarga instalada e o calçado acaba sendo o gatilho que piora o desconforto no fim do dia”, explica Mariana Milazzotto.
Como escolher melhor
Para quem não quer abrir mão do salto, a orientação não é necessariamente abolir o uso, mas fazer escolhas mais inteligentes. De acordo com a fisioterapeuta, alguns detalhes fazem diferença e podem reduzir o impacto sobre a coluna.
Ela recomenda:
- preferir saltos de até 5 centímetros;
- optar por modelos de base mais larga e estável;
- evitar sapatos muito rígidos ou apertados;
- reduzir o tempo de permanência com salto;
- alternar com calçados baixos ao longo da semana;
- evitar uso em dias com muitos deslocamentos ou longos períodos em pé.
“Para quem já sente dor, vale pensar menos no visual isolado e mais na resposta do corpo. Um salto mais baixo e mais estável costuma ser melhor tolerado do que modelos muito finos ou altos”, diz.
Dor no fim do dia não deve ser normalizada
Peso nos ombros, dor na lombar, rigidez no pescoço e cansaço nas pernas no fim do expediente são sintomas que muita gente trata como normais, mas eles podem indicar que o corpo está compensando mais do que deveria.
Segundo Mariana Milazzotto, quando a dor aparece sempre após o uso de determinado tipo de calçado, o sinal merece atenção. “Se o desconforto é recorrente, se há travamento, sensação de peso ou piora progressiva, o ideal é rever o tipo de sapato e investigar se existe uma sobrecarga postural ou muscular por trás desse quadro”, afirma.
Além da troca do calçado, a fisioterapia pode contribuir com avaliação postural, fortalecimento muscular, orientação de movimento e estratégias para reduzir sobrecargas. Core, glúteos, panturrilhas e pés ajudam a sustentar o corpo e a distribuir melhor as cargas no dia a dia.
“A escolha do sapato importa, mas ela não resolve tudo sozinha. Se a dor já está instalada, é importante olhar para postura, mobilidade e força muscular. Muitas vezes, o salto só torna visível um problema que já estava ali”, diz Mariana Milazzotto.
Para a especialista, a principal mensagem é simples: usar salto não precisa ser proibido, mas precisa deixar de ser uma escolha feita sem pensar no corpo. “A coluna entra nessa conta, sim. E, em muitas situações, um pequeno ajuste na altura ou no formato do calçado já faz diferença”, conclui
Sobre a Dra. Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.
(Tinteiro Assessoria de Imprensa)
Foto Profissional. (Crédito: pexels.com)