Facilidade para desenvolver manchas roxas, dor e aumento desproporcional do volume das pernas podem levantar suspeita, mas avaliação médica é essencial para diferenciar o lipedema de outras condições
Manchas roxas que surgem com facilidade nas pernas, às vezes após um pequeno esbarrão, a pressão de uma roupa apertada ou sem que a pessoa se lembre de um trauma específico, costumam gerar preocupação. Em mulheres com lipedema, essa tendência pode fazer parte do quadro clínico, mas não deve ser interpretada, isoladamente, como confirmação da doença.
O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, geralmente de forma simétrica nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Além da alteração de volume, o quadro pode estar associado a dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, desconforto e impacto importante na qualidade de vida.
Segundo a Dra. Mariana Milazzoto, a facilidade para apresentar hematomas é uma queixa que pode aparecer na história de pacientes com suspeita ou diagnóstico de lipedema, especialmente nas áreas afetadas pela condição.
“O hematoma se forma quando pequenos vasos sob a pele sofrem uma lesão e há extravasamento de sangue para os tecidos. No lipedema, há hipóteses relacionadas a alterações da microcirculação, inflamação local, aumento da permeabilidade dos vasos e mudanças no tecido conjuntivo que podem tornar essa região mais sensível a pequenos traumas”, explica a Dra. Mariana Milazzoto.
Mariana ressalta, no entanto, que a ciência ainda investiga de forma contínua os mecanismos envolvidos. Por isso, o tema precisa ser comunicado sem simplificações: ter hematomas frequentes não significa, por si só, que uma pessoa tenha lipedema.
“Roxos nas pernas podem ocorrer por diversos motivos, como uso de medicamentos que interferem na coagulação, deficiência nutricional, fragilidade da pele, alterações vasculares, problemas hematológicos ou pequenos traumas do cotidiano. O que orienta a investigação é o conjunto de sinais, e não apenas um sintoma”, afirma.
Por que os roxos podem chamar atenção
Em pessoas com lipedema, a queixa costuma ser mais relevante quando aparece junto a outras características, como:
- Aumento bilateral e simétrico do volume das pernas ou dos braços.
- Desproporção entre os membros e o restante do corpo.
- Dor, incômodo ou sensibilidade aumentada ao toque.
- Sensação de peso e cansaço nas pernas.
- Preservação dos pés, criando uma diferença mais marcada na transição entre tornozelo e pé.
- Dificuldade de reduzir o volume das áreas afetadas apenas com perda de peso.
“É comum que muitas mulheres passem anos ouvindo que se trata apenas de ganho de peso ou retenção de líquido. Por isso, quando existem dor, alteração de proporção corporal, sensibilidade e hematomas recorrentes, uma avaliação qualificada pode ajudar a esclarecer o quadro e orientar o cuidado”, diz a Dra. Mariana Milazzoto.
Hematoma não é diagnóstico
A facilidade para desenvolver manchas roxas aparece em descrições clínicas tradicionais do lipedema, mas diretrizes recentes também reforçam que esse achado não é específico e não deve ser usado como critério de diagnóstico isolado. Há inclusive debate científico sobre o grau em que a fragilidade capilar está comprovadamente aumentada em todas as pessoas com a condição.
Por isso, fotos, vídeos e relatos nas redes sociais podem ampliar a informação sobre o tema, mas não substituem uma avaliação individualizada.
“A internet pode ajudar uma paciente a reconhecer sintomas e procurar atendimento, mas não deve servir como ferramenta de autodiagnóstico. Cada caso precisa ser analisado considerando histórico clínico, exame físico, distribuição do tecido adiposo, sintomas associados e a exclusão de outras doenças”, pontua a especialista.
Quando procurar avaliação
Hematomas frequentes, grandes, espontâneos ou acompanhados de outros sangramentos, como sangramento nasal, gengival ou menstrual muito intenso, merecem investigação médica. O mesmo vale quando os roxos surgem de forma repentina, aumentam de intensidade ou aparecem em locais não habituais.
No contexto do lipedema, a busca por avaliação é recomendada principalmente quando as marcas vêm acompanhadas de dor, sensibilidade, aumento simétrico do volume das pernas ou braços, desconforto persistente ou prejuízo à rotina.
“Reconhecer os sintomas precocemente permite orientar medidas de cuidado, controlar desconfortos e evitar que a paciente passe anos sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo. O mais importante é olhar para o quadro completo, com escuta, informação responsável e acompanhamento especializado”, conclui a Dra. Mariana Milazzoto.
Sobre a Dra. Mariana Milazzotto

Fisioterapeuta com quase 20 anos de atuação, mestre em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. Criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença. É referência no Brasil por sua abordagem humanizada e baseada em evidências científicas.
(Tinteiro Assessoria de Imprensa)
Foto Profissional. (Crédito: FreePik)