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Redes sociais e saúde mental de adolescentes são temas de palestra na Câmara

Evento foi organizado pela Escola do Legislativo ‘Dulce Whitaker’ e faz parte do Fórum Municipal Setembro Amarelo – Prevenção ao Suicídio

O Plenário da Câmara recebeu na segunda-feira (21) a palestra “Conectados, mas pertencentes? Redes sociais, relações virtuais e saúde mental de adolescentes e jovens”, apresentada pela psicóloga Liliane Zanin, em evento integrante do “Fórum Setembro Amarelo”, criado pela Resolução nº 548/2024.

A iniciativa foi organizada pela Escola do Legislativo “Dulce Whitaker” e abordou temas relacionados à influência das redes sociais no comportamento de jovens e adolescentes, especialmente em tempos nos quais as conexões virtuais superam as interações sociais reais.

Na abertura do encontro, o presidente da Escola do Legislativo, vereador Michel Kary (PL), lembrou da importância do cuidado da saúde mental das pessoas de todas as idades que, diariamente, são bombardeadas por conteúdos sugeridos pelos algoritmos dos mais diversos aplicativos.

Em seguida, a palestrante iniciou sua fala resgatando os avanços dos meios de comunicação nas últimas décadas, enfatizando a participação das redes sociais nesse processo de evolução. “Nunca estivemos tão conectados, mas não nos sentimos, necessariamente, pertencentes”, alertou Liliane.

Outro ponto abordado foi a relação do uso abusivo das redes sociais com diagnósticos de depressão e ansiedade, o que pode ser confirmado, especialmente, em pessoas com predisposição a desenvolver essas condições em algum momento da vida.

Crianças e adolescentes conectados

Baseando-se em estudos recentes, a psicóloga mostrou ao público que 92% das crianças e adolescentes brasileiros, com idade de 9 a 17 anos, já usavam a internet em 2025. Quando a faixa analisada muda de 15 a 17 anos, o percentual atinge 95%.

Com os dados apresentados, Liliane reforçou que a rede mundial de computadores deixou de ser apenas uma ferramenta para comunicação e pesquisas, e se tornou o espaço onde os jovens se relacionam e constroem a própria identidade.

Entre os aplicativos favoritos dos adolescentes estão o WhatsApp, seguido por Instagram, TikTok e YouTube, que são plataformas que priorizam os conteúdos em vídeo, apontados como os preferidos entre esse público específico. Segundo Liliane, o TikTok seria a rede que mais vicia, devido a recomendação de vídeos em sequência, capazes de prender a atenção por horas.

Outra pesquisa citada na apresentação trouxe dados que permitem identificar a importância das redes na vida dos jovens e adolescentes, especialmente quando se trata de questões envolvendo amizades, socialização, aceitação e suporte emocional.

Porém, esse mesmo cenário de pertencimento relacionado às conexões com as redes sociais não é exclusividade das pessoas mais novas e atinge também adultos de todas as idades. O destaque fica por conta dos idosos, que encontram no mundo virtual um alento para o vazio existencial que enfrentam com o envelhecimento; é nesse momento que as telas começam a ocupar espaços que antes eram dedicados às necessidades reais.

Excesso de telas

Independentemente da idade, os prejuízos causados pelo tempo de tela excessivo podem representar desde problemas físicos, como dores e dificuldades para enxergar, até questões psicossociais que podem afetar trabalho, estudos e interações sociais. Além disso, podem acontecer alterações no ciclo circadiano causados pela exposição à luz e pela estimulação provocada pelo conteúdo digital, que afetam a duração e a qualidade do sono, um dos fatores relacionados aos problemas de saúde mental.

No entanto, Liliane destacou que é preciso saber diferenciar o uso intenso da utilização problemática, que, normalmente, toma o lugar de outras atividades rotineiras. “Não devemos olhar apenas para quantas horas permanecemos conectados. Precisamos observar como utilizamos, quando utilizamos e o que esse uso está substituindo.”

Segundo a psicóloga, estudos já demonstraram que o uso exagerado das mídias sociais também pode estar relacionado a uma maior tendência à comparação com os outros, intensificando as preocupações dos mais jovens com a imagem corporal e gerando comportamentos alimentares inadequados, muitas vezes sugeridos por influenciadores com milhares de seguidores.

A palestrante ainda pediu atenção a esses abusos pois, geralmente, significam carências não reveladas. “A gente, infelizmente, precisa dizer que todo excesso é uma falta. Falta de algum lugar, falta de alguma coisa, falta de um pertencimento e precisamos pertencer de verdade aqui fora”, finalizou.

Sofrimento invisíveis

A palestrante reforçou que algumas situações vividas no ambiente online podem levar a sofrimentos reais que nem sempre são percebidos por outras pessoas. “O adolescente pode estar conectado com todos, mas sentir-se sozinho”, enfatizou Liliane.

Além do cyberbulling, caracterizado por ameaças, intimidações e agressões na internet, exploração e abuso sexual facilitados pela tecnologia são outro ponto que merece a atenção dos pais, que precisam saber com quem os filhos conversam virtualmente, como eles se sentem em relação aos outros e quem procuram para pedir ajuda quando algo ruim acontece.

“Hoje a gente vê que aumentou muito o índice de suicídios, principalmente em jovens e adolescentes. Não podemos dizer que as redes sociais causam o adoecimento que leva ao suicídio, mas, sim, a junção do todo, a nossa vivência, as nossas famílias, os nossos aprendizados e as nossas escolhas”, concluiu a psicóloga.

Apesar disso, a conexão com o mundo virtual nem sempre é ruim, conforme foi reconhecido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que, no início deste ano, publicou um guia com orientações a pais e cuidadores de crianças que utilizam a internet.  

Entre as recomendações estão a abordagem familiar do assunto, baseada em diálogo, limites e uso equilibrado, em vez de tratar toda utilização das redes como algo totalmente prejudicial. “O objetivo não é criar adolescentes desconectados. É ajudá-los a construir uma relação saudável com o mundo conectado”, concluiu Liliane.

Por fim, a palestrante afirmou que o equilíbrio é a chave para manter as conexões de maneira saudável e que é nossa responsabilidade usar as redes sociais conscientemente, sem permitir que elas controlem nosso tempo, nossas emoções e nossas relações.

(Setor de Imprensa – Câmara Municipal de Araraquara)

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