O tornado que atingiu Muitos Capões (a 290 km de Porto Alegre, RS) na noite da última segunda-feira deixou prejuízos avaliados em R$ 4 milhões, segundo estimativas da prefeitura, que decretou situação de emergência.
O temporal causou estragos apenas a zona urbana. A chuva, o vento forte e o granizo danificaram ao menos 85 casas –21 delas ficaram destruídas– e causaram ferimentos em 16 pessoas. Uma delas, uma mulher de 61 anos, permanece na internada em estado grave.
A cidade ficou aproximadamente 24 horas sem energia elétrica. Segundo Luciano Borsoi, assessor-geral do Poder Executivo, o fornecimento já foi restabelecido.
Tornado
A definição de tornado foi confirmada pela Rede de Estações de Climatologia Urbana de São Leopoldo, que analisou as imagens da destruição, do radar meteorológico do horário e relatos dos moradores de que o vento durou poucos minutos.
A falta de equipamentos meteorológicos na região impediu medir a velocidade alcançada pela ventania. Porém, para fins de classificação do fenômeno, adota-se a escala internacional de Fujita, que a partir dos danos observados proporciona a estimativa da velocidade do vento. Com isso, a Climatologia Urbana entendeu que Muitos Capões foi atingida por um tornado de categoria 2, com vento de 180 a 250 km/h.
Outros municípios
Chuva e fortes ventos também atingiram outros municípios do Rio Grande do Sul. Em todo o Estado, 18 cidades foram atingidas por ventos fortes entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem.
No sul de Santa Catarina, dez cidades ficaram sem luz devido aos vendavais. Além disso, São Joaquim, Caçador, Videira e Joaçaba tiveram ocorrências de destelhamento, segundo a Defesa Civil.
Ciclone extratropical
A formação de um ciclone extratropical no litoral gaúcho intensificará ainda mais os ventos em boa parte do Estado e no leste de Santa Catarina entre quinta e sexta-feira. Os ventos poderão atingir 90 km/h.
De acordo com a Climatologia Urbana de São Leopoldo, ciclones extratropicais são comuns na região. O instituto afirma que o ciclone previsto, a julgar pelos últimos dados, tende a ser menos intenso que o da semana passada, que atingiu o sul gaúcho e o Uruguai e que trouxe rajadas de vento mais intensas.
Outros ciclones extratropicais são esperados na região até o final do ano, especialmente no final deste inverno e na primavera.