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Portaria virtual e os cuidados na proteção de incêndios

André Mario (*)

No universo condominial, especialmente nos edifícios residenciais, tem ganhado cada vez mais espaço as portarias virtuais. O grande motivador dessa transformação é o uso da tecnologia como benefício, somado à redução de recursos viabilizada pela substituição dos funcionários até então presenciais. A modernização, no entanto, exige cautela, principalmente no que diz respeito à proteção contra incêndio, e deve ter toda atenção de gestores de condomínios que optam por esse tipo de automação.

A expansão das portarias virtuais nos últimos anos atende à busca constante pela eficiência orçamentária por parte da gestão condominial e se consolida num cenário onde a folha de pagamento de funcionários chega a representar até 70% dos custos fixos de um edifício. A tecnologia, assim, substitui a presença física do porteiro por centrais externas de monitoramento 24 horas.

A sensação de alívio financeiro no caixa do condomínio, beneficiando inclusive os condôminos com a redução da taxa condominial, muitas vezes deixa descoberta a segurança contra incêndio na edificação, criando um gap de segurança bastante importante no sistema de prevenção e de combate.

Vale destacar que, nos projetos originais de edificações mais antigas ou de médio porte, a presença do porteiro humano na guarita costumava funcionar como a primeira linha de resposta para a evacuação do prédio em situações de emergência. Nesses modelos convencionais, cabia a esse profissional identificar um princípio de incêndio, acionar os alarmes, contatar os bombeiros e orientar o abandono das instalações.

Com a portaria virtual, essa figura humana deixa de existir presencialmente. Para mitigar esse vácuo, as instruções técnicas estaduais do Corpo de Bombeiros e as normas da ABNT fizeram adequações e passaram a impor exigências operacionais mais rigorosas, por meio da instalação e integração de um Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio (SDAI) automático e centralizado.

Esse sistema deve ser composto por detectores automáticos de fumaça e calor nas áreas comuns, botoeiras de alarme e sirenes audiovisuais interligadas em todos os andares e integração com o controle de acesso: em caso de disparo do alarme, as catracas, portões de pedestres e eclusas mantidos pela portaria virtual devem destravar automaticamente para garantir a saída desimpedida dos moradores.

Hoje, os dispositivos com comunicação via radiofrequência ou rede sem fio atendem perfeitamente tias exigências, isso sem precisar alterar a arquitetura original do edifício. Os dados de cada sensor respondem de maneira muito mais rápida e inteligente, permitindo um alcance robusto no atendimento à segurança.

O ponto central dessa inovação disponível aos condomínios é a comunicação direta entre o alarme de incêndio e o software de controle de acesso da portaria remota. Assim, quando um detector capta fumaça ou o botão de pânico é acionado, o sistema inteligente destrava automaticamente todos os portões de saída e rotas de fuga. Simultaneamente, o alerta chega em segundos à central de monitoramento externa, que aciona imediatamente o Corpo de Bombeiros, garantindo uma resposta rápida no local.

Gestores interessados em aderir à portaria virtual não devem deixar essa preocupação de lado. A falta de adequação do sistema de prevenção a incêndio ao adotar a portaria virtual ou remota traz desdobramentos diretos para o condomínio, incluindo a negativa ou cassação do AVCB, multas e outras sanções em fiscalizações municipais e do Corpo de Bombeiros, até mesmo a interdição do imóvel, e a invalidação do seguro, com a recusa da seguradora em indenizar em eventual caso de sinistro por incêndio.

A transição para a portaria remota continua sendo uma solução válida para a contenção de custos, desde que o projeto acompanhe os investimentos em segurança contra incêndio. Os alarmes de incêndio estão contemplados nesse conceito de inovação e merecem dos gestores a devida atenção. Presencialmente ou à distância, a segurança jamais deve ser abdicada.

(*) É Economista formado pela USP, com MBA em Finanças.

(PRDA COMUNICA)

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