Por que a gente sempre quer o que não tem?

Marilene Volpatti

Descobrir as raízes da inveja ajuda a conseguir os objetos de desejo.

Luís é uma pessoa satisfeita com sua imagem. Mesmo assim gostaria de possuir um pouco mais de altura. Por mais que lhe falem que está ótimo, não se convence e responde: “É puramente inveja de pessoas muito altas, não de lógica”.

A inveja tem pouco a ver com a lógica. Podemos achar que um carro vermelho conversível é cafona, mas, se um conhecido aparece com um que ganhou de presente, vamos querer um vermelho com listras brancas. Nada de errado em desejar coisas. Se não fossem as ambições, muito pouco teríamos a conquistar na vida. Apesar disso, querer algo que alguém tenha e nós não, não é sinal de problema. A inveja é uma forma de insatisfação, uma mistura corrosiva de ressentimento e desejo. Analistas dizem que ninguém está livre dela. Mas algumas pessoas são mais suscetíveis. Passam a vida reclamando que não têm um negócio próprio, um corpo maravilhoso, um marido ou mulher rica ou uma vida de luxo. Na maioria das vezes são pessoas que nunca superaram o sentimento de privação ou mágoa da infância.

ainveja que tem raízes na infância é mais difícil de se libertar. A maioria não está a salvo dela. Não nascemos com ela, mas, temos um lado agressivo que é instintivo, natural; e a inveja faz parte dele.

Desejo

Enquanto Luís anseia por ser mais alto, seu amigo Paulo, instrutor de ginástica, morre de inveja dos alunos que têm olhos claros. Ele não se dá conta que provoca inveja em muitos homens que fazem aula com ele.

As mulheres de cabelos lisos sonham com cachos; as que têm cachos, por sua vez, sonham com fios escorridos. O denominador comum: insatisfação com o que lhes foi dado.

Se os cabelos são o grande objeto de desejo, o trabalho é o local da inveja. Embora as mulheres estejam rompendo barreiras no mundo corporativo, ainda encontram várias portas fechadas. Como tem menos oportunidades e percebem isso, sua tendência é invejar com maior intensidade.

Por isso as conseqüências e o peso das frustrações sobre os ombros das mulheres. São elas que mais sentem na pele o drama da inveja alheia – principalmente quando há lugar para poucas no topo. Trocando em miúdos, se a morena de determinado departamento for promovida, a loura vai ficar morrendo de inveja, porque estará perdendo, talvez, a sua única chance.

Em geral, a inveja é mais forte quando o suposto rival possui o mesmo status. Não sentimos raiva da Rainha da Inglaterra, porque a diferença da vida dela com a nossa é muito grande. Mas, se um conhecido ganhar alguma coisa a mais e nós não, podemos sentir um aperto no coração.

Defesa

Odiamos adimitir esse sentimento tão negativo. Assim, para evitar a culpa e o desconforto que ele traz, vamos descobrindo maneiras de poder mascarar o sentimento verdadeiro. Ironicamente os pequenos truques acabam revelando aquilo que escondemos. Entendendo melhor, não conseguimos enganar ninguém – a não ser nós mesmos.

A máscara mais usada para encobrir a inveja é o ar de superioridade.

Lia, que trabalha numa grande empresa, é ligadíssima em moda, só usa roupas caras e de grifes famosas. Sapatos, aos montes. É capaz de aparecer no serviço com um par diferente do outro por semanas seguidas. Mas, está sempre deixando escapar comentários sobre o mau gosto alheio ou deixando ver, através de seus gestos e olhares, o quanto despreza a maneira de ser de suas colegas de empresa. O que não deixa ver é que algumas delas possuem o cargo que ela tanto sonhou e continua sonhando.

Outras pessoas preferem se refugiar no cinismo. Raquel, uma vendedora, vê muitas mulheres menos talentosas que ela fazendo sucesso. Para lidar com essa situação, diz a si mesma e amigos: “Num local de trabalho como esse, onde a beleza está em primeiro lugar, não é de se estranhar que ninguém reconheça o meu talento”. De qualquer maneira, ela admite que esse tom, irônico e amargo, não resolve seus problemas. “Não consigo aquilo que quero, e a maneira pessimista de enxergar a vida não me ajuda em nada”, confirma.

A falsidade é outra máscara do invejoso. Pessoas que escolhem esse caminho tendem a negar a inveja que sentem rebaixando a si próprias. Com suas atitudes humildes mostram que não representam perigo para ninguém. Atacam a si próprias pra que ninguém as ataque primeiro.

Uns se humilham, outros buscam a glória. Compram tudo o que há de melhor, posam de auto-suficientes e jamais reconhecem um erro. Pessoas com essas características, esperam ser invejadas ao invés de sentir inveja. Dessa forma, disfarçam bem a situação.

Imagem

Mais destrutivo que esse recurso de auto-enganação, porém, é a depressão. Evidentemente há outros fatores que desencadeiam esse sentimento, que vai desde o final de um romance até uma demissão. Mas, muitas vezes, ele é provocado pela inveja, ou pela recusa de reconhecer a própria pessoa invejosa que é.

Para alguém disposto a enfrentar seus sentimentos, a inveja é uma excelente ferramenta de diagnóstico. Os objetos de desejo denunciam nossos pontos vulneráveis. Não descobrimos só nossa fraqueza, mas o que queremos da vida. Se você se flagra sempre com ciúmes de uma pessoa que trabalha numa sala fechada é indício que não nasceu para ficar perambulando pelas ruas. Pense nisso, portanto, quando entrar em guerra com sua própria inveja.

Temos que ter a maturidade de admitir e aceitar nossa fraqueza. A inveja é uma delas. É um sentimento que se não for entendido corrói por dentro impedindo o crescimento em todos sentidos da vida. Ele precisa ser trabalhado todos os momentos. Não é difícil, é só querer!

Serviço

Consultoria: Drª Tereza P. Mendes – Psicoterapeuta Corporal – Fone:- 236.9225.

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