(*) José Renato Nalini
O Brasil já não é mais "o país dos jovens". A taxa de fecundidade tem se mantido abaixo dos níveis antigos. A Terra não teria condições de abrigar os bilhões de seres que não sabem se servir de seus recursos de maneira sustentável e tornariam inviável a vida no planeta.
Mas também os jovens estão morrendo antes do tempo: 70 mil assassinatos a cada ano. Mais milhares de motociclistas que já ultrapassaram o pedestre nos acidentes fatais. E os suicidas? Os que morrem por overdose, doenças ligadas à obesidade, porque além da educação básica, também não temos expertise em alimentação.
Por ano, 70 mil jovens são assassinados…
Enfim, o velho que se cuida vai viver mais. Dependendo da grana porque velho pobre vai morrer, como sempre. Mas, o governo começa a pensar no idoso. Acena com a "hipoteca reversa", uma novidade.
Na hipótese tradicional, o imóvel hipotecado é do banco, até que o mutuário pague todas as prestações. Na hipoteca reversa, o imóvel é do proprietário, até que ele receba do banco, em parcelas, o valor integral da propriedade.
Há três desfechos possíveis para a hipoteca reversa.
1. O proprietário quita a dívida com o banco e fica com o imóvel liberado; 2. O proprietário vende o imóvel e quita a dívida com o banco; 3. O proprietário morre e o banco vende o imóvel, quita a dívida e, se houver saldo, este é dos herdeiros. É uma fórmula interessante para aqueles idosos que têm imóvel e não têm renda, nem herdeiros necessários. Passam por necessidades e a sobrinhada, que nunca procurou cuidar do tio ou da tia, herdam o patrimônio de uma vida. Com a hipoteca reversa, o idoso garante qualidade de vida que não teria, porque imóvel (patrimônio econômico), não significa boa vida, situação financeira confortável.
Resta ver como é que vai funcionar a "hipoteca reversa", já que a desejável "logística reversa" ainda não está implementada e faz imensa falta a este Brasil que, além de produzir muito lixo, se tornará o destino de tudo aquilo que o mundo desenvolvido descarta e não quer armazenar em seu solo privilegiado.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da Academia Paulista de Letras 2019-2020.