Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)
De país tipicamente agrícola — e, durante muito tempo, associado ao destino de veículos furtados por quadrilhas transnacionais que atuavam na região de fronteira — o Paraguai apresenta-se hoje como um dos novos vetores econômicos da América do Sul. Quase 300 empresas brasileiras, muitas delas tradicionais e de grande porte, transferiram seus negócios ou parte de suas operações para o país vizinho, atraídas pelo menor custo operacional, pela carga tributária significativamente inferior à praticada no Brasil e por um custo de vida mais acessível.
Especialistas apontam que a menor carga tributária é um dos principais fatores responsáveis pela crescente migração de empresas e investidores. O grande diferencial paraguaio está na combinação de menos impostos, menor burocracia e um ambiente regulatório mais simples e previsível.
De modo geral, o custo de vida no Paraguai pode representar apenas uma fração daquele encontrado no Brasil para uma cesta semelhante de produtos e serviços. Em 2025, o país bateu recorde ao conceder autorização de residência a mais de 23,5 mil brasileiros, número que superou o de argentinos e representou mais da metade de todas as permissões emitidas. A tendência continuou em alta, com milhares de novas autorizações concedidas nos primeiros meses do ano.
O perfil dos migrantes é diversificado, incluindo microempreendedores, trabalhadores remotos, empresários, estudantes de Medicina e aposentados. O sistema tributário paraguaio, frequentemente associado a alíquotas próximas de 10%, atrai aqueles que buscam pagar menos impostos e desfrutar de maior liberdade econômica.
Os custos de moradia, terrenos, veículos, energia elétrica e diversos serviços também são consideravelmente menores. Além disso, muitos brasileiros apontam a busca por maior segurança pública e por um ambiente econômico mais favorável ao empreendedorismo como razões centrais para a mudança. Atualmente, estima-se que entre 400 mil e 500 mil brasileiros residam no Paraguai, sem contar os filhos e netos de imigrantes que se estabeleceram no país há décadas.
Diante desse cenário, o governo brasileiro precisa analisar com seriedade os motivos dessa crescente saída de capital, investimentos e mão de obra qualificada, adotando medidas econômicas capazes de tornar o país mais competitivo e atrativo para empreendedores e trabalhadores. O Brasil também deveria ampliar parcerias com o vizinho país, aproveitando oportunidades de integração econômica e desenvolvimento regional.
Especialistas em economia alertam, contudo, que, embora o Paraguai seja apontado por alguns como uma possível “Suíça da América do Sul”, a mudança não é garantia de sucesso. O país oferece excelentes oportunidades para quem possui planejamento e capital para investir. Sem esses requisitos, a experiência pode se transformar em uma aventura arriscada, mesmo diante dos preços mais baixos e das vantagens tributárias.
(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)