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O silêncio dos recomeços

Colaboração: Cintia Alves

A vida continua andando, e às vezes temos a impressão de que somos nós que não saímos do lugar.
Todo mundo pensa que recomeçar exige um grande esforço. Que é preciso tirar toda a tralha que se acumulou sobre os ombros, sacudir a poeira e seguir em frente como se nada tivesse acontecido.
Mas talvez não seja assim.
Talvez o recomeço comece justamente nas coisas mais simples.
Levantar da cama. Tomar um banho. Abrir a janela. Voltar a sorrir, ainda que seja por alguns segundos. Estar perto das pessoas que amamos. Organizar, aos poucos, aquilo que ficou bagunçado por dentro e por fora.
E, principalmente, escolher continuar.
O recomeço não precisa de grandes ações. Não precisa de estardalhaço, de anúncios ou de uma transformação que todos possam enxergar.
Ele precisa de ação.
Porque recomeçar não é uma tarefa fácil. Muitas vezes, é silencioso. Ninguém percebe quando alguém decide tentar novamente. Ninguém vê a batalha travada entre a vontade de desistir e a coragem de dar mais um passo.
Recomeçar é olhar para o próprio reflexo no espelho e, mesmo sem ter todas as respostas, conseguir pensar:
Minha vida vale a pena. Eu valho a pena. E eu não preciso parar a minha vida por causa daquilo que me fez cair.
Recomeçar é uma dança silenciosa.
É aprender a viver um dia de cada vez.
Nem todos os dias serão feitos de flores. E nem todos serão dias de chuva. Mas, quando vierem as flores, pare para senti-las. Cheire-as. Regue-as. Cuide delas.
E, quando vier a chuva, talvez você possa simplesmente deixar que ela caia.
Dance.
Porque até os dias difíceis podem carregar alguma coisa para nos ensinar.
Recomeçar também é isso: olhar para cada oportunidade e tentar encontrar nela alguma possibilidade de reconstrução.
Recomeçar é reconstruir a própria vida, pedaço por pedaço.
Um dia de cada vez.
E, quando perceber, aquele pequeno passo que ninguém viu terá sido o começo de um novo caminho.

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