João Baptista Galhardo
Você sabe sorrir? Esta deveria ser a primeira pergunta a ser feita a qualquer candidato a emprego público ou privado. Não só prestadores de serviços, mas também homens de negócios deveriam, se ainda não sabem, aprender a sorrir. Conta-se que Henry Ford costumava despedir da sua fábrica de carro, o trabalhador que efetuava a sua tarefa mal-humorado. Não tem coisa mais desagradável que suportar uma pessoa carrancuda e de mau humor. Se você não sente prazer em sorrir, obrigue-se a sorrir. Há muitos anos advertem os chineses “se você não for sorridente não se estabeleça no comércio”. Resolvi visitar a Espanha onde nasceram todos meus ascendentes. Por telefone reservei hotel em Alicante, linda cidade beira mar e muito próxima de Múrcia, terra de nascimento de meus pais. Chegando ao aeroporto peguei um táxi. Dei o nome do hotel: “Huerto Del Cura”. Sem dizer uma palavra, tocou em frente. Atravessou toda a cidade e entrou numa rodovia, e eu lhe perguntei onde ficava aquele hotel. Não respondeu. E com cara feia foi em frente. Insisti na pergunta e ele mal-humorado respondeu: quando chegar saberá onde fica. Chegamos. Fica em Elche, uma cidade vizinha, dentro da província de Alicante. Paguei mas lhe disse: você é doente. – Yo? – Si, procura um risoterapêuta. Como? Virei-lhe as costas e fui embora. Quantas vezes ficamos irritados com um restaurante ou um clube, em razão de mau atendimento de um garçom ou do porteiro? Ou de uma repartição pública, pela cara azeda do atendente? Sorriso, amor, educação e conseqüentemente bom humor, formam a receita para o sucesso. Sorrir não significa tão somente mostrar os dentes. O sorriso começa na alma, filtra nos olhos e desabrocha nos lábios. Se fosse tão somente colocar os dentes à mostra não teria explicação o sorriso belo e natural de um bebê banguela. O sorriso é elogio, lisonja, amor, bálsamo e chave para um relacionamento duradouro. Madre Tereza de Calcutá já dizia: “A Paz começa com um sorriso”. Faz bem à saúde. “O coração alegre ajuda a sarar, mas espírito abatido seca os ossos” (Provérbios, 17:22). Nenhuma pessoa por mais bonita ou talentosa que seja terá sucesso na vida se todos disserem: “Não há pessoa mais antipática”. Por outro lado obterá sucesso, se sorrir gentilmente para os outros. Há muito que se afirma que o sorriso é uma riqueza que não diminui. Beneficia quem sorri e os que recebem. São Francisco Sales diz que a alegria abre e a tristeza fecha o coração. Há pessoas que são perseguidoras de infelicidades. Incapazes de sorrir quando lhe contam algo engraçado. Mesmo que mostrem os dentes não disfarçam o mau humor patológico. Portam no sangue a toxina da ira e da tristeza, sem qualquer explicação. Não sabem que o sorriso é remédio. O Papa João XXIII dizia que o homem tem a idade do seu sorriso. E ele foi talvez o Papa mais simpático que o Vaticano já teve. Oppenhein, com sua filosofia caseira citada por Carnegie e adaptada por muitos, fazia questão de registrar que o sorriso nada custa, mas cria muito. Enriquece quem recebe, sem empobrecer quem oferece. Dura um segundo, mas a memória não esquece. Traz felicidade ao lar, ao trabalho, alimenta o bom relacionamento e é a senha dos amigos. É descanso para o fatigado. É incentivo para o desanimado. Alegria para o triste e o melhor antídoto para o mau humor. O sorriso não pode ser comprado, mendigado, suplicado, implorado, emprestado ou roubado. Ele deve ser dado naturalmente.
Não leve a vida tão a sério, você não vai sair vivo dela. Quer que o mundo lhe sorria? Sorria para ele…