O Discurso de 1975

A foto do canto direito é histórica: eu barbudo, 40 de idade, discursando diante de muitas pessoas.

O evento ocorreu lá no Ambulatório da Associação dos Fornecedores de Cana, que se situava à Rua 13 de Maio nº 1264, Vila Xavier, onde hoje, como todos sabem, funciona uma das Delegacias de Policia de Araraquara.

Na foto, os leitores podem verificar um monte de mãos de repórteres que estavam ampliando o som para os ouvintes ou gravando minha fala para posterior radiodifusão.

Um pouco antes da cerimônia, os repórteres e outros, numa rodinha, me perguntaram onde eu estava morando. Respondi que estava morando na Avenida Duque de Caxias havia um ano e pouco, numa casa que estava acabando de pagar e que me havia acontecido uma grande coincidência.

O pessoal se interessou e então contei que me havia mudado para Araraquara e instalado meu primeiro consultório em 13 de maio de 1961. Esta data, eu já falei sobre ela em crônica anterior. Contei prá eles que, em meus primeiros dias na cidade, dei uma volta pelo centro e verifiquei que, na Avenida Duque de Caxias, estava sendo iniciada a construção de uma casa.

Atravessei um vão do tapume e rodeei os alicerces, verificando que eram reforçados e que havia muito capricho dos pedreiros na arrumação. Fiquei por ali alguns minutos olhando e meditando e perguntei prá eles quem era o dono da construção. Disseram-me que era um japonês chamado Seu Ozame. Saí de lá pensando: “Seria aqui o local onde eu iria querer morar…”

Não contei prá ninguém aquele meu sonho, ficando secreto meu desejo de ter aquela casa.

Um ano e pouco antes do mencionado discurso, em final de 1973, eu estava morando na Rua Zero, prá lá da Bento de Abreu, quando bateu em minha porta o popular corretor Cícero Vidal. Ele me disse o seguinte: “Doutor Guaracy, vim ver se o senhor quer comprar uma casa na Duque de Caxias, bem no centro…” Pois é a casa em que moro até hoje.

Um dos repórteres, que aparece na foto comigo, me disse que havia gostado da coincidência, atribuindo-a à energia de meu sonho.

Dito isto, dei prosseguimento ao assunto para mencionar uma outra coincidência muito maior, sobre o ambulatório onde estávamos para a solenidade. Eis o que contei prá ele.

Perguntei se ele havia memorizado minha afirmação de que me havia estabelecido em Araraquara no dia 13 de maio. Pois é, disse-lhe eu, poucos meses depois, bateu-me à porta o saudoso e competente Neurologista Dr. Humberto Morábito para convidar-me a trabalhar naquele ambulatório da Associação da Cana. Pois eu topei, e trabalhei lá durante 37 anos. E qual é a rua onde ficava o ambulatório, senão justamente a Treze de Maio!

O repórter ficou olhando pensativo e então eu completei dizendo prá ele que eu comecei a trabalhar lá no ano de 1961, mas na condição de substituto dos Médicos Dr. Amaury Pinto de Castro Monteiro e Dr. Octávio de Arruda Camargo. Dessa forma, o pagamento do meu trabalho era feito pelos dias eventualmente trabalhados.

Eis o que aconteceu lá no dia 1-2-64. Jamais poderei esquecer a data porque foi o dia em que minha sobrinha Maira, filha da Loyde e Daniel, estava fazendo um aninho. Pois nesse dia, eu fui chamado no escritório para ser cientificado que o Instituto do Açúcar e do Álcool havia normalizado o envio de verbas para a Associação e que, dentro de algumas semanas eu seria contratado como funcionário efetivo e registrado em carteira. Era, na realidade, um convite para permanecer trabalhando lá. Gostei e fiquei, como disse, 37 anos atendendo o povo da zona rural canavieira.

Pois vejam só os leitores: a data foi 1-2-64 e qual é o número do prédio onde funcionava o ambulatório? Exatamente 1264. O que posso eu fazer, senão admitir que as coincidências estão aí para acontecer comigo?

Agora olhem de novo a foto do discurso. Quem está ao meu lado é exatamente o amigo Geraldo Polezze. Depois de ouvir meus relatos de coincidências, naquele ano de 1975, ele me disse: “Pois é, Doutor Guaracy, se o Senhor continuar tendo coincidências como esta na vida e um dia resolver escrevê-las, prometo que lerei todas!…” Os anjos lá do céu disseram amém exatamente naquela hora e agora o Polezze é obrigado a ouvir e ler minhas estórias todas as semanas…

Vejam agora os leitores como é forte e notável a coincidência de números e de fatos:

Na foto da esquerda, estou junto com o Beto, que é casado com a Simone, irmã da Cilene. Ambos lecionam na Academia de Aeronáutica de Pirassununga.

Recentemente, precisando trocar de carro, ele optou por comprar um Monza na Renata Automóveis. Pois parece coisa feita: a chapa do Monza dele tem exatamente o mesmo número 7676 da chapa de meu Peugeot vermelho, como aparece na foto.

Sou obrigado a manter minhas barbas de molho e respeitar as coincidências que estão sempre me rodeando. Eu até gosto, mas tomo meus cuidados porque sou supersticioso, tal qual era meu Avô Manéco.

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