Fabíola Tavernard (PopTevê)
O autor de A Lua Me Disse o convidou para interpretar o advogado Lúcio na trama que, segundo sua própria definição, “vem com tudo dentro”. Foi neste momento que se desfez, para o ator, qualquer dúvida se ele deveria ou não retornar ao país. “Quando soube que seria tudo entre amigos, que trabalharia com pessoas que já conheço há anos, e que meu personagem faria parte de uma família enorme, como as de antigamente, não tive como recusar”, recorda Maurício, cujo último papel na tevê foi do empresário Pedro, em “Agora É Que São Elas”, novela em que Falabella também estava no elenco.
Foi justamente por saber que seu personagem, apesar de ser um advogado respeitado, teria boas doses de humor, que Maurício Mattar se interessou pelo chamado de Miguel Falabella. “É ótimo fazer um personagem que não é uma figura endurecida. Posso brincar e falar barbaridades, logicamente no contexto”, comemora. Para Maurício, Lúcio precisa mesmo de humor e paciência para suportar o ciúme doentio da esposa, Madô, vivida por Débora Bloch.
Aos 41 anos, Maurício diz que é importante para ele investir profissionalmente fora do país, como forma de aprendizado e até de impulsão para a carreira. Além de conhecer boa parte da Europa, esteve em Moçambique e Angola, onde lançou seu último CD “Meu Segundo Disco”, sétimo trabalho da carreira de Mattar.
Ele confessa que a solidão foi uma das maiores dificuldades que encontrou, principalmente após a morte do pai em agosto do ano passado. “Às vezes eu chegava em casa e ela parecia ter dez vezes o tamanho que tem. Tive momentos muito duros lá. Quando perdi meu pai, por exemplo, não pude vir, por causa de compromissos profissionais. Agora entendo o que é o exílio”, exagera.
Mas a idade é uma importante aliada na hora de conseguir papéis de maior qualidade. Seria, para ele, algo até matemático, já que a experiência permite – pelo menos é o que se espera – que os profissionais de qualquer área sejam mais qualificados. Quanto ao rótulo de galã, que carregou por um tempo, ele jura nunca ter sido um de seus maiores problemas. “Isso é uma grande bobagem. Tudo depende de como você lida internamente. O importante é ter tranqüilidade para saber o que você é capaz de atingir com seu trabalho. Com o tempo, as oportunidades vão surgindo e você mostra aquilo que pode fazer”, afirma.
Apesar da segurança, o autor não esconde que uma de suas maiores preocupações é saber se está agradando ao autor. Não que Miguel Falabella seja a severidade personificada, mas Maurício se preocupa em interpretar bem o texto, que considera brilhante. “Ele escreve com outro sabor. E eu represento também com outro sabor. Quando represento, fico sempre imaginando o que ele vai achar, porque temos muita intimidade. Além disso, ele também é ator”, explica.
Cheio de energia desde a volta ao Brasil, Maurício adianta que já tem projetos de cinema e teatro para depois da novela. Ele acredita ter atingido a maturidade profissional, e, por conta disso, tem mais serenidade na hora de selecionar trabalhos. Mas ressalta que quer se dedicar bastante à comédia daqui para a frente, já que foi neste gênero, no teatro, que iniciou a carreira, há quase 30 anos.