Nhô Pedro

Era uma borboleta, tinha os olhos azuis da cor do céu, doces como mel. Tinha asas amarelas da cor do ouro que cintilavam no espaço quando voava. Era na realidade a mais linda das borboletas, delicada, dedicada, prestimosa e inteligente mas nasceu pra ser gente e não borboleta. Teve filhos e os criou da melhor maneira possível entregando-os a quem saberia educá-los e, enquanto isso, borboleteava na imensidão do espaço. Da extensa família sempre foi a mais solicitada, todos lhe consultavam para qualquer coisa que deviam fazer e sempre dava certo pois ela era superprendada.

Adorava voar e aparecer e ajudar quem nem sequer precisasse da sua ajuda e se sentia realizada. Levou muita pancada, teve muitos dissabores mas borboleteava. Nasceu pra viver sozinha, sem ter ninguém que a mandasse. Queria a liberdade acima de tudo, gostava de ver gente, conversar e trocar fofocas. Ela ficava horas e horas perdida na imensidão de bobagens. Era a rainha da limpeza, doente por estar tudo limpo a sua volta e se arrebentava por essa qualidade. Devia ter algum parentesco com mariposas porque gostava da luz e das madrugadas. Não tinha hora pra dormir nem pra levantar. A sua volta tomava conta de tudo, por mais insignificante que fosse. Enquanto não visse tudo a seu gosto, aqueles olhos azuis ficavam mais azuis e até pareciam que mudavam da bondade para a maldade total. Guardava tudo em sua cabeça e ai daquele que fizesse algo que ela não gostasse: ficava marcado e na primeira oportunidade ela com certeza descontaria com juros e correção monetária. Amava suas amigas mais que qualquer outra pessoa, além do seu companheiro e dos filhos. Vocês já viram borboletas avós, ela era a mais perfeita das avós e morreria por um dos seus netos ou netas. O resto era resto e pouco lhe dizia. Gostava de grandes caminhadas, voando sempre em busca do nada pois onde ia nada havia que lhe interessasse. Era só voar e aparecer. Conhecia todos os lugares, tinha uma sensibilidade inigualável.

Certa vez uma mãe de santo disse textualmente que ela nasceu para o santo e tudo que fizesse fora daquilo nunca iria dar certo e ela voava e voava e voava… o seu mundo parecia infinito pois nunca chegava ao fim. A linda borboleta iria nascer e morrer voando por todos os lugares em busca daquilo que não existia, só na sua mente de borboleta.

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