Nhô Pedro

Solidão é ter um mundo e não ter nada. É ter uma bruxa e uma fada e ter todos os pedidos aceitos que nem fazem efeito. É estar num oceano perdido sem rumo e sem função. Família, que coisa boa é ter família! Grande, unida, todos pensando quase igual. É ser um todo é ser um tal. É ser ouvido mesmo nas queixas corriqueiras, nas besteiras que a vida traz. É ter a sensação de estar falando a verdade. É acreditar que todos o ouvem e concordam. É puxar a corda num sentido que todos os fazem e se sentir vitorioso. É achar que tudo que se faz é certo, que o destino por certo nos colocou numa posição invejável, inigualável, irresistível e verdadeira. Quanta asneira nos passa pela cabeça, quantas mentiras inventamos, instigamos para não perder a pose e o estatus. E a conveniência de estar em todas, de uma forma diferente. É ser gente e parecer ser gente. Solidão é o deserto onde só quem vive é adaptável às circunstâncias do calor da falta d’água, das tempestades de areia e dos ventos gelados noturnos que nenhum cobertor sequer pode aquecer. Solidão é formar uma família perfeita, com todo carinho, com todo o sofrimento, com todo o tormento e se achar o Deus por isso. É se colocar na posição invencível do pai inigualável, do cumpridor de todos os deveres essenciais, achar que está sozinho nesta empreitada que é, afinal, quase nada pois na maioria todos fazem.

Não há pai nem mãe que não queiram dar aos filhos tudo aquilo que nem sequer tiveram pela vida. Nem sempre dá certo, mas, a luta para dá-lo e eternamente amar os filhos é uma semente que germina e floresce. Mas, eles da gente se esquecem não por maldade ou educação: é a própria ilusão das suas vidas que trazem mágoas e feridas tão duras de cicatrizarem. Solidão é chorar sozinho no seu ninho onde antes só houvera amor. Solidão é a dor que não passa nem acalma, é a dor que vem da alma e vem para ficar. Nada a faz mudar, nem esperança, nem lembranças e nem o ardor que por vezes a vida nos dá. Solidão é saber que você tem tudo e que parece nada e que, de repente, deixa a gente sem fé e sem sentido, sem perspectivas e sem futuro como se tudo acabasse no momento.

Solidão toma a gente e a gente sente. E ela acaba com a gente, nos corrói e destrói. Nos torna o grão de areia que somos na realidade e nos dá a vontade de morrer só para não ver o que nem é visto pois é só sentido.

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