Nhô Pedro

Na Revolução de 32 meu avô tinha um caminhão médio que era muito útil com as suas habilidades. Além de algumas mudanças o veículo era usado para atender no seu armazém: sacas de farinha de trigo, sal ou querosene.

Como era difícil ter condução, naquela época, além de carroças e carros de boi o meu avô, como bom comerciante, levava as pessoas até para casamento e tinha lá o seu lucro. Só ele tinha o caminhão e nunca faltavam viagens. Era, na verdade, o seu ganha-pão. Mas, no período da revolução vieram buscar o seu caminhão. Eles chegavam e levavam, mas, meu avô que era esperto, se comprometeu a ir junto com a condução. Em várias cidades o meu avô foi o chofer do próprio caminhão, a serviço da revolução. E ganhou bom dinheiro, tendo óleo, gasolina e manutenção de graça. Não sei quanto tempo ficou nessa empreitada, mas, quando retornou veio carregado de mercadorias pelos bons serviços prestados. Ficou amigo de gente importante. Meu avô era italiano-nato e tudo o que queria conseguia, com astúcia e muito trabalho. Quando o caminhão estava parado ele cozinhava para os oficiais e, com isso, ampliou a suas relações de amizade. Muito tempo depois essa gente, quando visitava Araraquara, não perdia a sua polenta com o vinho importado da bela Itália. Meu avô, em determinado momento, teve cinco meninas estudando em colégio interno da capital, um filho médico, um advogado, um dentista e uma professora.

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