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Museu Voluntários da Pátria amplia a forma de contar a história de Araraquara e inaugura nova exposição

Exposição “VOZES: memória, resistência e legado” marca a primeira grande atualização da exposição do acervo desde 2013 e amplia as narrativas sobre a formação do município

A história de Araraquara passa a ser contada sob uma nova perspectiva no Museu Histórico e Pedagógico Voluntários da Pátria. Reinaugurado no próximo sábado, 18 de julho, o espaço apresenta ao público a exposição “VOZES: memória, resistência e legado”, que rompe com a narrativa tradicional centrada em personagens e acontecimentos oficiais para incorporar diferentes experiências, memórias e sujeitos que participaram da construção do município.

Além de renovar parte de sua expografia, o museu alinha-se às práticas da museologia social. A proposta amplia a narrativa sobre a formação da cidade ao reconhecer a presença e as contribuições de povos indígenas, da população negra e de outros grupos historicamente pouco representados nos espaços de memória. “Este museu é um espaço vivo e histórico que agora se abre para acolher e amplificar as vozes daqueles que foram invisibilizados ao longo do tempo”, aponta a subsecretaria de Acervos e Patrimônio Histórico, Alessandra Lima.

Resultado de um processo colaborativo que reuniu curadores negros e indígenas, a exposição convida os visitantes a percorrer narrativas que articulam história, memória e participação social. “A importância dessa nova fase está em permitir que o público compreenda a nossa história por meio de múltiplas perspectivas, trazendo a pluralidade dos povos indígenas e da cultura negra para o centro do debate”, defende a subsecretaria.

Para Alessandra, o museu não deve apenas guardar o passado, “mas servir como um ponto de encontro e reflexão, onde as comunidades locais participam ativamente da construção da própria narrativa.”

Exposição

O percurso reúne objetos, fotografias, documentos, depoimentos e recursos multimídia para apresentar trajetórias marcadas por resistência, trabalho, pertencimento e transformação social.

Um dos principais diferenciais da nova mostra é a revisão do percurso histórico apresentado pelo museu. A narrativa deixa de começar exclusivamente com a chegada de Pedro José Neto e amplia o recorte temporal para reconhecer processos históricos anteriores e diferentes protagonistas da formação de Araraquara. A proposta não substitui uma história por outra, mas amplia as possibilidades de leitura do passado, valorizando a diversidade de experiências que compõem a memória coletiva.

A nova exposição também reforça o papel do museu como espaço de diálogo e construção compartilhada do conhecimento. Nesse contexto, a exposição propõe reflexões sobre identidade, pertencimento, representatividade e os desafios da preservação da memória na sociedade contemporânea.

A acessibilidade é outro eixo estruturante da mostra. O percurso conta com textos em linguagem acessível, audiodescrição, conteúdos em Língua Brasileira de Sinais (Libras), elementos táteis e estratégias expográficas desenvolvidas para ampliar a autonomia e a experiência de visitação de pessoas com deficiência.

A exposição integra o projeto “Tempo e memória: uma experiência colaborativa com coleções negras e indígenas”, contemplado pelo edital PROAC 36/2024 – Modernização de Museus. A iniciativa é realizada pela Fundação Araporã, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundart.

A secretária municipal de Cultura, Euzânia Andrade, destaca que a reinauguração demonstra a importância da parceria entre o poder público e instituições comprometidas com a preservação da memória. “A Fundação Araporã, a Secretaria Municipal da Cultura e a Fundart uniram conhecimentos, experiências e esforços para construir um museu mais inclusivo, acessível e conectado com as demandas do nosso tempo. Essa colaboração mostra que a cultura se fortalece quando é construída de forma coletiva, permitindo que diferentes vozes, histórias e identidades encontrem espaço de reconhecimento.”

Criado por decreto estadual em 1958 e aberto ao público em 1970, o Museu Histórico e Pedagógico Voluntários da Pátria integrou a rede de museus históricos e pedagógicos implantada pelo Governo do Estado no interior paulista entre as décadas de 1950 e 1970. A reinauguração representa a primeira grande atualização de sua exposição desde 2013 e consolida um novo momento da instituição, voltado à valorização das múltiplas memórias que constituem a história de Araraquara.

A programação de reinauguração será realizada no sábado, das 10h às 16h, e contará com cerimônia oficial, atividades culturais e feira indígena de artesanato e alimentação. A entrada é gratuita.

SERVIÇO
Reinauguração do Museu Histórico e Pedagógico Voluntários da Pátria e abertura da exposição “VOZES: memória, resistência e legado”
Local: Museu Histórico e Pedagógico Voluntários da Pátria, Praça Pedro de Toledo, Avenida Portugal, entre as ruas Carlos Gomes e Itália (ruas 6 e 7), Centro
Data: sábado (18 de julho)
Horário: das 10h às 16h

Visitação: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h

Programação gratuita

(SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO DA PREFEITURA)

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