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Movimento estudantil da UNESP ganha força em Araraquara

Luigi Polezze

As mobilizações estudantis em defesa de maior investimento nas universidades estaduais paulistas ganharam destaque nesta semana. Estudantes da Universidade Estadual Paulista (UNESP) participaram da sessão da Câmara Municipal realizada na última terça-feira (9) e também estiveram presentes em manifestações organizadas durante a visita do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na quinta-feira (11).

Os atos fazem parte de um movimento estadual que reúne dezenas de cursos da UNESP em defesa da ampliação dos recursos destinados ao ensino superior público paulista. Segundo os organizadores, a principal reivindicação é a revisão do percentual da arrecadação do ICMS destinado às universidades estaduais.

Representando o movimento, a estudante de Licenciatura em Química da UNESP de Araraquara e diretora de Ciência e Tecnologia da União Nacional dos Estudantes (UNE), Magu Haddad, afirmou que a atual estrutura de financiamento não acompanha o crescimento da universidade nas últimas décadas.

De acordo com ela, há cerca de 30 anos as universidades estaduais paulistas recebem a mesma participação na quota-parte do ICMS destinada ao ensino superior. No caso da UNESP, o percentual corresponde a 2,34% da arrecadação repassada às universidades estaduais.

“A universidade cresceu, ampliou cursos, abriu novos campi e aumentou significativamente o número de estudantes. No entanto, o orçamento não acompanhou essa expansão”, afirmou.

Segundo os estudantes, a insuficiência de recursos impacta diretamente o funcionamento da instituição. Entre os problemas apontados estão dificuldades na contratação de professores, atrasos no início de disciplinas, limitações na manutenção da infraestrutura universitária, além de questões relacionadas à permanência estudantil e ao funcionamento dos restaurantes universitários.

MOBILIZAÇÃO ESTADUAL

De acordo com os representantes do movimento, a mobilização não está restrita a Araraquara. Diversos campi da universidade vêm realizando assembleias, paralisações e atos públicos em diferentes regiões do Estado.

DEBATE SOBRE A GREVE

As paralisações também têm gerado discussões dentro da própria comunidade universitária. Parte dos estudantes demonstra preocupação com possíveis impactos no calendário acadêmico e no andamento das atividades letivas.

Questionada sobre o tema, Magu afirmou que as decisões pela adesão à greve foram tomadas em assembleias estudantis e ressaltou que a pluralidade de opiniões faz parte da dinâmica universitária.

Segundo ela, as deliberações ocorreram de forma democrática e contaram com ampla participação dos estudantes. Para os organizadores do movimento, os problemas estruturais enfrentados atualmente pela universidade justificam a adoção das mobilizações como instrumento de reivindicação.

FALA DE TARCÍSIO DE FREITAS

Durante a visita do Governador nessa quinta-feira, ele pôde informar como – aos olhos dele – as universidades já contam com uma verba adequada ligada ao ICMS, fixada em 9.57%, aproximadamente 64 bilhões de reais são dedicados às universidades de São Paulo.

De acordo com Tarcísio, se for fazer uma média, cada estudante recebe de recursos e afins – aproximadamente – 100 mil reais por ano de investimentos, enquanto as demais universidades federais contam com um investimento mais próximo dos 30 mil por ano. Desse modo, o Estado de São Paulo estaria fazendo um investimento três vezes maior se comparado com o restante do país nessa fronte.

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