Luigi Polezze
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou uma investigação para apurar possíveis irregularidades na execução das obras de canalização do Córrego do Ouro, popularmente conhecidas como obras da Via Expressa, em Araraquara. A medida consta na Portaria de 16 de junho de 2026 que determinou a abertura de uma Notícia Fato para analisar as circunstâncias envolvendo a execução do empreendimento.
A obra, financiada majoritariamente com recursos federais por meio de contrato de repasse, possui investimento estimado em aproximadamente R$ 141,5 milhões. A investigação foi motivada por declarações públicas do atual secretário municipal de Obras e Serviços, que afirmou que os trabalhos teriam sido iniciados em um trecho diferente daquele previsto no projeto técnico original.
Segundo o secretário, a execução da obra começou em um ponto intermediário do córrego, e não em sua cabeceira, como previa o planejamento inicial. Ainda de acordo com a Portaria, a decisão teria desconsiderado alertas apresentados pelo corpo técnico da administração anterior. Há relatos de que o então prefeito da época teria recebido orientação para iniciar a intervenção no ponto considerado adequado, mas que a recomendação não teria sido seguida.
As informações ainda indicam que uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) teria identificado inconsistências na execução do projeto, circunstância que poderia comprometer a liberação das parcelas seguintes dos recursos federais. Em razão desse cenário, a atual administração municipal informou que precisou reiniciar parte da obra no trecho considerado correto, mantendo aberta a intervenção em frente ao Terminal Rodoviário, situação que continua gerando impactos no trânsito e reflexos para comerciantes e moradores da região.
É importante destacar que, neste momento, não há qualquer conclusão sobre a existência de irregularidades ou responsabilidades.
A instauração da investigação representa apenas o início da apuração dos fatos, cujo objetivo é verificar se houve falhas na condução da obra e eventual prejuízo aos recursos públicos.
O Jornal de Araraquara acompanhará o andamento da investigação e divulgará os próximos desdobramentos à medida que novas informações oficiais forem sendo disponibilizadas.
Fotos: Tetê Viviani

