Com a queda da temperatura, cresce a busca por refeições mais quentes, cremosas e calóricas; especialista explica por que isso acontece e como fazer escolhas mais equilibradas no frio
Uma massa no almoço, uma sopa ou um caldo no jantar, um fondue no fim de semana. Quando menos se percebe, o inverno não muda só a temperatura: ele também mexe na alimentação. Refeições mais quentes, densas e calóricas passam a ocupar espaço maior no prato, junto com a vontade de comer alimentos que trazem conforto e saciedade.
Segundo a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, essa mudança não acontece apenas por hábito. O frio pode aumentar a sensação de fome e favorecer escolhas mais pesadas, mas o maior risco está na forma como isso se traduz na rotina alimentar: mais queijos, molhos cremosos, embutidos, frituras e sobremesas, com menos vegetais, fibras e alimentos frescos.
“Não é raro que o inverno traga uma mudança silenciosa na rotina alimentar. A pessoa passa a escolher alimentos mais quentes e mais pesados, às vezes sem perceber que aumentou bastante a densidade calórica da dieta”, afirma.
A estação também favorece pratos de conforto, como massas, sopas encorpadas, chocolate quente e fondue. O problema, segundo a médica, não está no prato típico de inverno em si, mas na repetição e na composição. Uma sopa, por exemplo, pode ser nutritiva e equilibrada. Mas também pode se tornar uma refeição rica em gordura e sódio quando leva creme de leite, bacon, embutidos e excesso de queijo.
O mesmo vale para caldos engrossados com batata ou mandioca em excesso, massas com molhos pesados e preparações muito carregadas. Nesses casos, o aumento de calorias pode pesar não só na balança, mas também na digestão e na qualidade da dieta com um todo.
“Muita gente reduz fruta, salada e água no frio e passa a comer de forma mais concentrada, cremes, molhos, queijos, embutidos e doces por serem mais gordurosos e mais confortantes. O corpo sente isso”, diz Dra. Mariana Wogel.
A orientação, afirma, não é cortar os pratos típicos da estação, mas fazer escolhas mais conscientes. Sopas com legumes e proteína, com menos creme, costumam funcionar melhor. Molhos podem ser mais leves. Queijos e embutidos não precisam virar a base da refeição. E a hidratação continua importante mesmo quando a sede diminui.
A médica também destaca a importância de manter equilíbrio e priorizar preparações quentes com melhor perfil nutricional. Sopas mais leves, chás, vegetais e refeições feitas em casa ajudam a atravessar a estação sem exageros.
Para ela, entender que o inverno muda o comportamento alimentar é o primeiro passo para evitar excessos sem transformar a estação em um período de restrição. “O frio pode aumentar a vontade de comer comidas mais pesadas, mas isso não significa que toda refeição precise ser mais gordurosa. Dá para comer bem, com conforto e sem perder o equilíbrio”, afirma.
Sobre a Dra. Mariana Wogel

Médica especialista em Nutrologia pela ABRAN/AMB, RQE 33691 com atuação em saúde feminina, emagrecimento, fertilidade e medicina integrativa. Autora de dois livros e criadora do Programa Ser Livre, atende em Três Rios e Itaipava com foco em cuidado integral, acompanhamento contínuo e saúde da mulher em diferentes fases da vida.
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